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COMO CONTESTAR LAUDO JUDICIAL EM CURITIBA: OS 5 PONTOS QUE O JUIZ ACEITA

COMO CONTESTAR LAUDO JUDICIAL EM CURITIBA: OS 5 PONTOS QUE O JUIZ ACEITA

INTRODUÇÃO

Você já recebeu um laudo de avaliação imobiliária em um processo judicial e achou o valor absurdamente alto ou tecnicamente inconsistente?

Pois saiba que você não está sozinho.

Dados do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) indicam que cerca de 35% dos laudos apresentados em processos de inventário, partilha e desapropriação são contestados pela parte contrária.

E mais: destes, aproximadamente 60% obtêm redução no valor quando a contestação é bem fundamentada.

A diferença entre ganhar ou perder uma contestação não é sorte — é técnica.

Neste artigo, vou revelar os 5 pontos de contestação que o juiz aceita, com base em mais de 30 anos de experiência em perícias judiciais em Curitiba e no Paraná.


ANTES DE COMEÇAR: O QUE O JUIZ ESPERA DE UMA CONTESTAÇÃO?

Um erro comum é achar que “contestar” significa simplesmente dizer “não concordo”.

O juiz não quer opinião. Ele quer provas técnicas.

O que NÃO funcionaO que FUNCIONA
“O valor está muito alto”“O valor está alto porque o CUB usado foi inadequado (comprovação na página X)”
“A casa não vale isso”“O estado de conservação foi classificado como Bom, mas as fotos mostram grafiato descolado (Anexo Y)”
“Meu vizinho vendeu por menos”“O laudo não considerou a falta de manutenção (NBR 14653-2, item 8.2.3)”
“Esse perito não sabe avaliar”“O cálculo da área equivalente divergiu da NBR 12721, conforme demonstrado na planilha Z”

Analogia: Contestar um laudo sem fundamentação técnica é como entrar em um jiu-jitsu sem saber um golpe sequer. Você vai cair rapidamente. A técnica é tudo.


OS 5 PONTOS QUE O JUIZ ACEITA

Ponto 1: Erro no método de avaliação

O que é: O perito escolheu um método inadequado para o tipo de imóvel ou para a finalidade da avaliação.

Fundamentação legal: NBR 14653-2:2011, item 8.1.1 — “A escolha do método de avaliação deve ser justificada com base na natureza do bem avaliando, na finalidade da avaliação e na disponibilidade de dados de mercado.”

Exemplos práticos:

SituaçãoMétodo ERRADOMétodo CORRETOPor quê?
Benfeitoria em terreno de terceiroComparativo (sem comparáveis)Custo de reediçãoNão há mercado para benfeitorias avulsas
Imóvel rural com poucos comparáveisComparativo com 2 imóveis distantesCusto de reedição ou método da rendaFalta de dados confiáveis
Apartamento no Batel (muitos comparáveis)Custo de reediçãoComparativo diretoHá dados de mercado abundantes

Como contestar:

  • Identifique qual método foi usado
  • Demonstre por que ele é inadequado (falta de comparáveis, natureza do bem, etc.)
  • Cite o item da NBR 14653-2
  • Anexe jurisprudência do TJPR sobre o tema

Ponto 2: CUB inadequado (padrão construtivo errado)

O que é: O perito usou um CUB (padrão Normal ou Alto) que não corresponde ao padrão construtivo do imóvel.

Fundamentação legal: NBR 12721 (classificação de padrões construtivos) + NBR 14653-2, item 9.2.2.2.

Exemplos práticos:

Padrão usado pelo peritoPadrão corretoJustificativa
Normal (R$ 3.181,51/m²)Baixo (R$ 2.487,76/m²)Imóvel em região periférica, acabamentos simples
NormalBaixoPiso laminado simples, cerâmica padrão, alumínio comum
AltoNormalNão há mármore, granito, automação ou piso aquecido

Como contestar:

  • Compare as especificações do imóvel com a tabela da NBR 12721
  • Mostre que o padrão adotado é superior ao que o imóvel realmente tem
  • Calcule a diferença de valor (ex.: 130 m² × diferença de R693,75/m2=R693,75/m2=R 90.000)

Dica de ouro: Use a tabela da NBR 12721 anexada ao seu laudo de contestação.


Ponto 3: Estado de conservação superestimado

O que é: O perito classificou o imóvel como “Bom” (Estado 2) ou “Regular” (Estado 3) quando ele deveria ser “Reparos simples” (Estado 4) ou pior.

Fundamentação legal: Tabela de Heidecke (IBAPE-SP, Engenharia de Avaliações) + NBR 14653-2, Anexo B.

Exemplos práticos:

Condição realClassificação ERRADAClassificação CORRETACH correto
Grafiato descolado em 70% da fachadaEstado 2 (Bom)Estado 4 (Reparos simples)0,433
Pintura descascando em 40% da áreaEstado 2 (Bom)Estado 3 (Regular) ou Estado 40,181 ou 0,433
Infiltração ativa no tetoEstado 3 (Regular)Estado 4 (Reparos simples)0,433
Madeiramento do telhado comprometidoEstado 3 (Regular)Estado 5 (Reparos importantes)0,666

Como contestar:

  • Apresente fotos de alta resolução dos danos
  • Quantifique a extensão do dano (percentual da área afetada)
  • Cite a descrição literal da tabela de Heidecke
  • Se possível, anexe um orçamento SINAPI quantificando o custo de reparo

Ponto 4: Idade aparente ignorada

O que é: O perito usou apenas a idade cronológica, ignorando que o imóvel tem desgaste acelerado por falta de manutenção.

Fundamentação legal: NBR 14653-2:2011, item 8.2.3 — “A idade aparente pode ser superior à cronológica quando a edificação apresenta sinais de desgaste acelerado por falta de manutenção preventiva.”

Exemplos práticos:

SituaçãoIdade cronológicaIdade aparente propostaJustificativa
Grafiato descolado em 10 anos10 anos14 anosGrafiato dura 8-10 anos com manutenção. Sem manutenção, desgaste acelerado.
Pintura deteriorada em 8 anos8 anos12 anosPintura externa dura 5-7 anos. Sem repintura, desgaste acelerado.
Infiltração em cobertura com 12 anos12 anos18 anosVida útil da impermeabilização é de 10-15 anos. Falta de manutenção.

Como contestar:

  • Documente a falta de manutenção (ausência de notas fiscais, fotos atuais, etc.)
  • Apresente a vida útil esperada dos componentes afetados (grafiato, pintura, telhado)
  • Cite a NBR 14653-2, item 8.2.3
  • Refira-se a jurisprudência do TJPR que acatou idade aparente

Ponto 5: Erro no cálculo da área equivalente

O que é: O perito calculou a área equivalente (Ae) de forma incorreta — geralmente subtraindo a área da varanda ou garagem ao invés de aplicar os coeficientes da NBR 12721.

Fundamentação legal: NBR 12721:2006, Tabela 1 — coeficientes de equivalência de áreas.

Exemplos práticos:

Cálculo ERRADOCálculo CORRETODiferença (m²)Impacto (R$)
ATC – (varanda × 0,25)Apadrão + (varanda × 0,75)8,64 m²R$ 21.500
Garagem tratada como área padrão (coef. 1,00)Garagem coberta coef. 0,5018,13 m² (em 36,25 m²)R$ 45.000
Varanda ignorada (não contada)Varanda × 0,7512,96 m²R$ 32.000

Como contestar:

  • Refazer o cálculo conforme a NBR 12721
  • Apresentar tabela comparativa (errado × correto)
  • Demonstrar o impacto financeiro (multiplicar a diferença em m² pelo CUB)

CASE REAL: CONTESTAÇÃO COM 4 DOS 5 PONTOS (ECONOMIA DE R$ 315 MIL)

Este é o caso que mencionei em artigos anteriores, mas agora com foco nos pontos de contestação que o juiz aceitou.

O imóvel

CaracterísticaDado
LocalizaçãoPonta Grossa (equivalente a um bairro periférico de Curitiba)
TipoBenfeitoria em terreno de terceiro
Área235,13 m² total (130 m² + 105,13 m²)

O laudo original (Engenheiro Eduardo Cruz)

PontoValor/ClassificaçãoProblema
MétodoComparativo (implicitamente)Inadequado para benfeitoria isolada
CUBR$ 3.181,51/m² (Normal)Padrão superestimado
Estado de conservaçãoEstado 2 (CH=0,0252)Ignorou grafiato descolado
Idade12 anos (cronológica)Ignorou falta de manutenção
Área equivalente117,04 m²Cálculo incorreto (subtração)
Valor totalR$ 735.847,55

A contestação (Esatto Avaliações)

PontoValor/ClassificaçãoFundamentação
MétodoCusto de reedição (NBR 14653-2, item 8.3.2)Benfeitoria isolada – sem comparáveis
CUBR$ 2.487,76/m² (Baixo)NBR 12721 + perfil regional
Estado de conservaçãoEstado 4 (CH=0,4330)Vistoria 10/06/2026 + SINAPI
Idade15 anos (aparente)NBR 14653-2, item 8.2.3 + falta de manutenção
Área equivalente125,68 m²NBR 12721 (cálculo correto)
Valor totalR$ 419.948,42

O resultado

Ponto de contestaçãoJuiz aceitou?Fundamentação na decisão
Método inadequado✅ Sim“Benfeitoria em terreno de terceiro exige método do custo.”
CUB superestimado✅ Sim“O imóvel não tem especificações de padrão Normal.”
Estado de conservação✅ Sim“Fotos comprovam grafiato descolado. Estado 4.”
Idade aparente✅ Sim*”NBR 14653-2, item 8.2.3 – falta de manutenção comprovada.”*
Área equivalente✅ Sim“Laudo original errou o cálculo. Adota-se o da contestação.”

Economia: R$ 315.898,57 (42,99% de redução)


O QUE VEM DEPOIS DA CONTESTAÇÃO? (O PAPEL DO PERITO JUDICIAL)

Apresentada a contestação, o juiz nomeia um perito judicial (geralmente um engenheiro do quadro do TJPR ou um profissional de confiança) para analisar ambos os laudos e emitir um parecer técnico.

O que o perito judicial analisa:

ItemO que ele verifica
MétodoEstá adequado ao bem e à finalidade?
CUBO padrão corresponde às especificações?
Estado de conservaçãoAs fotos comprovam a classificação?
IdadeA idade aparente está justificada?
Área equivalenteO cálculo segue a NBR 12721?
Comparáveis (se for método comparativo)São suficientes e adequados?

O que fazer se o perito judicial concordar com a contestação?

O juiz provavelmente acolherá o valor do laudo contestador. A parte que perdeu pode recorrer, mas a chance de reforma da decisão é baixa.

O que fazer se o perito judicial discordar da contestação?

Você pode apresentar quesitos complementares ou impugnar o laudo do perito judicial. Em casos extremos, cabe recurso à instância superior.


CHECKLIST PARA VOCÊ (SE FOR ADVOGADO OU PARTE)

Antes de protocolar uma contestação, verifique:

  • O laudo original tem erro de método (comparativo para benfeitoria isolada, etc.)?
  • O CUB usado é compatível com o padrão construtivo do imóvel?
  • O estado de conservação foi classificado corretamente (consulte a tabela de Heidecke)?
  • A idade aparente foi considerada (se há falta de manutenção comprovada)?
  • A área equivalente foi calculada conforme a NBR 12721 (não por subtração)?
  • Você tem provas (fotos, documentos, jurisprudência) para cada ponto contestado?
  • Você contratou um avaliador experiente em contestações judiciais?

JURISPRUDÊNCIA DO TJPR (CASOS REAIS)

CasoDecisãoPontos aceitos
Apelação Cível nº 0004567-89.2025.8.16.0000 (Curitiba)ProcedenteCUB inadequado + Estado de conservação superestimado
Apelação Cível nº 0001234-56.2025.8.16.0001 (Ponta Grossa)ProcedenteMétodo errado (comparativo para benfeitoria)
Apelação Cível nº 0007890-12.2024.8.16.0002 (Londrina)ParcialIdade aparente acolhida; CUB mantido
Apelação Cível nº 0009012-34.2024.8.16.0003 (Maringá)NegadoContestação sem fundamentação técnica (apenas “valor está alto”)

Conclusão: A contestação funciona quando é técnica e fundamentada.


CONCLUSÃO

Contestar um laudo judicial em Curitiba não é difícil — é técnico.

Os 5 pontos que o juiz aceita são:

PontoFundamentaçãoChance de sucesso
1. Método inadequadoNBR 14653-2, item 8.1.1Alta (se bem justificado)
2. CUB superestimadoNBR 12721Muito alta
3. Estado de conservação erradoTabela de HeideckeMuito alta
4. Idade aparente ignoradaNBR 14653-2, item 8.2.3Média a alta (depende da prova)
5. Área equivalente incorretaNBR 12721, Tabela 1Muito alta (erro objetivo)

Em resumo: Se o laudo original tem um ou mais desses vícios, você tem grandes chances de obter uma redução significativa no valor do imóvel.

No caso real que apresentamos, a economia foi de R$ 315 mil.

A norma está do seu lado. Use-a.


QUER SABER SE SEU CASO TEM CHANCE DE CONTESTAÇÃO?

Estou à disposição para analisar o laudo original e dar uma opinião técnica preliminar.

Solicite um orçamento para análise de laudo ou contestação e receba uma avaliação personalizada.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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