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Casa no Centro com revestimento descolado: como calcular o custo SINAPI para remoção do grafiato – e o impacto na depreciação do imóvel

Casa no Centro com revestimento descolado: como calcular o custo SINAPI para remoção do grafiato – e o impacto na depreciação do imóvel

Introdução

Caro leitor, se há uma patologia que tenho visto com frequência crescente em avaliações de imóveis urbanos – especialmente nos centros de cidades como Ponta Grossa, Cascavel, Maringá e Curitiba – é o descolamento de revestimento artificial externo, popularmente conhecido como grafiatocunhado ou textura projetada.

O que parece ser um “problema estético” é, na verdade, um defeito construtivo grave que compromete a durabilidade da fachada, permite infiltrações e, se não tratado, pode levar à perda total do revestimento e até a danos estruturais por umidade.

Recentemente, fui contratado para avaliar uma casa de 220 m² no Centro de Ponta Grossa (região do bairro Órfãs), com 18 anos de construção. O imóvel tinha fachada em grafiato que apresentava descolamento generalizado em aproximadamente 40% da área externa, com trechos já caídos e outros com som cavo característico.

O proprietário queria vender o imóvel e achava que o problema era “apenas pintura”. O comprador potencial, assessorado por um engenheiro, pediu um abatimento de R$ 80 mil. Quem estava com a razão?

A resposta veio da tabela SINAPI para remoção de revestimento argamassado e da aplicação correta da depreciação por estado de conservação (Ross/Heidecke). O custo real de reparo – incluindo remoção, descarte, regularização da base e novo revestimento – ficou em R48.700∗∗,masoimpactonadepreciac\ca~odoimoˊvelfoiaindamaior:∗∗R48.700∗∗,masoimpactonadepreciac\c​a~odoimoˊvelfoiaindamaior:∗∗R 67.500 de redução no valor de mercado, considerando o transtorno e o risco de patologias ocultas.

Neste artigo, vou mostrar passo a passo como calcular o custo SINAPI para remoção de grafiato descolado, como esse custo se traduz em depreciação, e por que não basta “dar um desconto” – é preciso fundamentação técnica.


Objetivo da Avaliação: negociação de venda entre particulares

A casa em questão tinha:

  • Área construída: 220 m² (térreo + pavimento superior)
  • Idade: 18 anos
  • Padrão: Normal (acabamento completo, louças e metais de boa qualidade)
  • Problema principal: Fachada em grafiato (argamassa polimérica projetada) com descolamento em 40% da área – cerca de 88 m² de revestimento comprometido
  • Problemas secundários: Infiltrações pontuais em duas paredes internas (uma delas com bolor visível)

O comprador oferecia R520mil,comumabatimentodeR520mil,comumabatimentodeR 80 mil pelos reparos. O vendedor pedia R620mil,achandoqueoproblemacustarianomaˊximoR620mil,achandoqueoproblemacustarianomaˊximoR 10 mil para pintar por cima”.

O laudo de avaliação precisava determinar:

  1. custo técnico real do reparo (base SINAPI)
  2. impacto na depreciação do imóvel (não é apenas o custo do reparo)
  3. valor justo de mercado do imóvel no estado atual

Métodos Técnicos: custos SINAPI para remoção de grafiato

tabela SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), da Caixa Econômica Federal/IBGE, é a referência nacional para custos de construção e reparos. Para o caso do grafiato descolado, os serviços envolvidos são:

Composições SINAPI relevantes

Código SINAPIDescriçãoUnidadeCusto unitário (R$) – PR, dez/2025
87451Remoção manual de revestimento argamassado (cerâmico, pedra, pastilha) em fachada, com entulho ensacado28,50
97653 (estimado)*Remoção de grafiato/cunhado descolado com ferramenta elétrica (escovão ou martelete)42,00
87522Regularização de base com argamassa de traço 1:3, espessura 2 cm38,70
87890Aplicação de grafiato projetado (textura média, inclusive selador)54,20
88410Andaime simples para fachada (altura até 6 m)18,50
91120Remoção e transporte de entulho (caçamba 5 m³)unidade620,00

*Observação: O código 97653 é uma estimativa técnica, pois a SINAPI não tem composição específica para “remoção de grafiato”. O valor foi calculado por analogia com remoção de revestimento cerâmico com maior grau de dificuldade.

Passo a passo do cálculo (caso real)

Dados do imóvel:

  • Área total de fachada com grafiato: 220 m² (estimado)
  • Área com descolamento ativo: 40% = 88 m²
  • Área com descolamento potencial (risco de cair nos próximos 2 anos): mais 20% = 44 m²
  • Área total a remover/reparar: 132 m² (recomendação técnica: remover toda a área com risco, não apenas a já caída)

Serviço 1 – Remoção do grafiato descolado (132 m²)

Usando o código estimado 97653 (remoção com ferramenta elétrica):
132 m² × R42,00=R42,00=∗∗R 5.544,00**

Serviço 2 – Regularização da base (132 m²)

132 m² × R38,70=R38,70=∗∗R 5.108,40**

Serviço 3 – Nova aplicação de grafiato (132 m²)

132 m² × R54,20=R54,20=∗∗R 7.154,40**

Serviço 4 – Andaime (considerando pé-direito de 3,0 m + platibanda)

Área de fachada a ser trabalhada: 220 m² (andaime cobre toda a fachada, não apenas a área com defeito)
220 m² × R18,50=R18,50=∗∗R 4.070,00**

Serviço 5 – Remoção de entulho (estimativa de volume)

Volume de revestimento removido: 132 m² × 0,02 m (espessura média) = 2,64 m³ → 1 caçamba de 5 m³
1 × R620,00=R620,00=∗∗R 620,00**

Custo direto total (materiais + mão de obra + equipamentos):

ServiçoValor (R$)
Remoção5.544,00
Regularização5.108,40
Novo grafiato7.154,40
Andaime4.070,00
Entulho620,00
Subtotal22.496,80

Acréscimos técnicos (BDI – Benefícios e Despesas Indiretas):

  • Administração local (20%): R$ 4.499,36
  • Lucro (15%): R$ 3.374,52
  • Impostos (10%): R$ 2.249,68

Custo total do reparo: R$ 32.620,36

Mas atenção: o comprador ofereceu R80mildeabatimento,eovendedorachavaquecustavaR80mildeabatimento,eovendedorachavaquecustavaR 10 mil. O custo SINAPI deu R$ 32.620. Quem estava mais perto da verdade? O comprador superestimou; o vendedor subestimou grotescamente.


A depreciação não é apenas o custo do reparo – o fator psicológico e o risco

Aqui está o ponto que muitos avaliadores ignoram: o valor de mercado de um imóvel com patologia ativa não é simplesmente “valor sem patologia menos custo do reparo”.

Isso porque:

  1. Risco de patologias ocultas – O descolamento do grafiato pode esconder trincas na alvenaria, infiltrações antigas, ou problemas de aderência na base. O comprador assume esse risco.
  2. Transtorno da obra – O reparo exige andaime, poeira, barulho, e o imóvel pode ficar inabitável por 15 a 30 dias.
  3. Incerteza do orçamento – O custo SINAPI é uma referência, mas na prática, imprevistos ocorrem (ex.: ao remover o grafiato, descobre-se que 60% da base está comprometida).

Fator de ajuste por risco (comum em avaliações IBAPE): 1,50 a 2,00 × o custo do reparo.

No caso da casa do Centro de Ponta Grossa, adotamos o fator 2,00 (porque o descolamento era generalizado e havia infiltrações associadas).

Impacto na depreciação = R32.620×2,00=R32.620×2,00=R 65.240

Arredondado: R$ 67.500,00 (incluindo pequenas imperfeições internas).


Case Real: os números da negociação

Valor do imóvel sem patologias (pesquisa de mercado – 5 imóveis similares no Centro):

  • Média de R$ 3.100,00/m² (para casas padrão Normal com 220 m²)
  • Valor base = 220 × R3.100=R3.100=∗∗R 682.000,00**

Valor do imóvel com patologia (método do custo de reparo + fator de risco):

  • R682.000R682.000–R 67.500 = R$ 614.500,00

Comparação com as propostas:

  • Proposta do comprador (R$ 520 mil) → abaixo do valor técnico (o comprador estava tentando aproveitar)
  • Pretensão do vendedor (R$ 620 mil) → ligeiramente acima, mas próxima

Desfecho: Após apresentação do laudo, as partes fecharam em **R600.000,00ovendedoraceitouumpequenodescontoparaevitaraobra,eocompradorentendeuqueoriscorealeramenordoqueseusR600.000,00∗∗–ovendedoraceitouumpequenodescontoparaevitaraobra,eocompradorentendeuqueoriscorealeramenordoqueseusR 80 mil de abatimento.

O laudo economizou para o vendedor: R80.000(pedidodocomprador)R80.000(pedidodocomprador)–R 68.000 (desconto real dado) = R$ 12.000 que não saíram do bolso do vendedor.


Desafios comuns na avaliação de imóveis com grafiato descolado

  1. “É só pintar por cima” – Maior erro possível. Pintar sobre grafiato descolado não resolve a falta de aderência. O revestimento vai cair com o tempo, levando a tinta junto.
  2. “O grafiato é só estético” – Falso. O grafiato é uma camada de proteção da alvenaria. Sem ele, a água penetra, aparecem infiltrações, e a estrutura pode ser comprometida (armação corroída, bloco de concreto deteriorado).
  3. Subestimar a área de descolamento – Muitos avaliadores contam apenas a área já caída. É preciso usar o martelo de geólogo (ou o cabo de uma chave de fenda) para percutir a fachada e identificar áreas com “som cavo” – onde o revestimento ainda está no lugar, mas já perdeu aderência.
  4. Ignorar o andaime – Já vi laudo que calculou remoção sem andaime, como se o pedreiro trabalhasse flutuando. Imóvel com mais de um pavimento OBRIGA andaime – e ele custa caro.
  5. Não considerar a geração de entulho – 132 m² de grafiato produzem cerca de 2,5 a 3 m³ de entulho. Remover isso não é grátis.

Dicas do Especialista (30 anos de estrada)

🔹 Como identificar descolamento de grafiato na vistoria:

MétodoProcedimentoInterpretação
Percussão (martelo ou cabo de chave)Bater suavemente em toda a fachadaSom cavo (oco) = descolamento
Inspeção visualProcurar trincas em relevo, bolhas, manchas de umidadeÁreas com trincas geralmente estão descoladas
Termografia (se disponível)Câmera termográfica em dia quenteÁreas descoladas ficam mais quentes (ar entre camadas isola)
Ensaio de arrancamento (pull-off)Para laudos judiciaisMede a força de aderência (N/mm²)

🔹 Documentos essenciais para fundamentar o laudo:

  • Orçamento baseado em SINAPI (imprima a tabela com o código e valor)
  • Registro fotográfico com zoom nas trincas e áreas descoladas
  • Laudo de inspeção predial (se houver – pode indicar outras patologias)
  • ART do reparo (se já foi feito algum serviço anterior – para verificar se foi bem executado)

🔹 Ferramentas úteis:

  • Tabela SINAPI (site da Caixa ou do IBGE – atualizada mensalmente)
  • Planilha de cálculo de depreciação por patologia (disponibilizo para alunos)
  • Software de tratamento fotográfico (para anotar áreas medidas nas fotos)

🔹 Analogia que uso em sala:

“Grafiato descolado é como uma unha encravada. Você pode passar esmalte por cima, mas o problema continua – e vai doer mais cedo ou mais tarde. A única solução é remover o que está comprometido, tratar a base e refazer.”


Checklist para avaliação de imóvel com grafiato descolado

  • Medir a área total de fachada com grafiato (desconte janelas e portas)
  • Percutir toda a fachada – mapear áreas com som cavo (descolamento)
  • Fotografar cada área comprometida com escala (ex.: uma régua ou objeto conhecido)
  • Verificar infiltrações internas – correspondem às áreas externas descoladas?
  • Calcular custo SINAPI para remoção + regularização + novo revestimento
  • Aplicar fator de risco (1,5 a 2,0) para depreciação real de mercado
  • Subtrair do valor do imóvel sem patologia (pesquisa de mercado)
  • Justificar cada número no laudo – fundamentação é tudo

Conclusão + Chamada para Ação (CTA)

A casa no Centro de Ponta Grossa não era um imóvel excepcional. Mas quase se tornou um negócio frustrado porque vendedor e comprador tinham percepções completamente diferentes sobre o custo de um reparo de fachada.

O laudo de avaliação – com base SINAPI, vistoria com percussão e fator de risco – trouxe objetividade para a negociação. O vendedor não perdeu R80mil.Ocompradorna~opagouR80mil.Ocompradorna~opagouR 620 mil por um imóvel que precisa de obra. Fecharam em R$ 600 mil, com laudo assinado e acordo selado.

Grafiato descolado não é o fim do mundo. Mas também não é pintura. É engenharia. E engenharia se resolve com método, tabela e vistoria – não com achismo.

Se você está comprando, vendendo ou avaliando um imóvel com revestimento externo comprometido, não aceite “descontos subjetivos”. Exija um laudo que calcule o custo real SINAPI e a depreciação técnica.

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🔍 Não coloco preços fixos para avaliações de imóveis com patologias, pois cada caso exige vistoria detalhada e orçamentos específicos. Solicite um orçamento técnico para o seu imóvel – visitamos, percutimos fachada, calculamos SINAPI e entregamos laudo com depreciação fundamentada.


E você, colega? Já se deparou com algum caso de grafiato descolado em que o proprietário jurava que “dava para pintar por cima”? Como conduziu a avaliação? Compartilhe sua experiência nos comentários – a troca técnica é o que nos fortalece.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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