Com mais de 15 anos de experiência, a Esatto Avaliações auxilia pessoas e empresas a atingirem seus objetivos financeiros e imobiliários, oferecendo serviços de avaliação precisos e transparentes.

Galeria

Contato

contato@esattoavaliacoes.com.br

41 99169-9464

Avaliação
Apartamento no Centro com infiltração: como fundamentar a depreciação usando a tabela SINAPI – um case de R$ 96 mil em contestação

Apartamento no Centro com infiltração: como fundamentar a depreciação usando a tabela SINAPI – um case de R$ 96 mil em contestação

Introdução

Caro leitor, se há uma situação que mais gera divergência entre peritos e assistentes técnicos em avaliações de apartamentos, é a quantificação do impacto de infiltrações no valor do imóvel. O proprietário diz: “É só uma mancha na parede”. O comprador diz: “O apartamento inteiro está comprometido”. O perito precisa dizer: “O custo de reparo é X, e o impacto no valor é Y”.

Recentemente, fui contratado como assistente técnico em uma ação de desapropriação indireta (ou, em outro caso similar, contestação de inventário) envolvendo um apartamento de 120 m² no Centro de Ponta Grossa, com infiltrações generalizadas vindas da laje de cobertura (o apartamento era no último pavimento). O perito original havia classificado o imóvel como “Bom estado” (Fec = 0,90), ignorando as manchas de umidade, o bolor nos armários e o forro de gesso comprometido.

Minha contestação: utilizando a tabela SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) para calcular o custo de reparo das infiltrações, e aplicando o método do custo de reparo com fator de risco, reclassifiquei o imóvel para o Estado 5 (Regular, Fec = 0,70) . A diferença no valor final? R$ 96.000. O juiz acolheu a fundamentação.

Neste artigo, vou mostrar passo a passo como utilizar a tabela SINAPI para fundamentar a depreciação por infiltração, quais composições utilizar para cada tipo de serviço, e como converter o custo de reparo em depreciação.


Por que usar a tabela SINAPI para fundamentar infiltrações?

NBR 14653-2 exige que o avaliador fundamente sua classificação do estado de conservação com base em evidências objetivas. A opinião (“acho que está regular”) não é suficiente. A tabela SINAPI fornece:

  1. Custos oficiais de reparo (mão de obra + materiais) – aceitos por juízes e tribunais
  2. Composições padronizadas para cada tipo de serviço (impermeabilização, recomposição de forro, pintura, etc.)
  3. Referência nacional (Caixa Econômica Federal / IBGE) – difícil de contestar

O que a tabela SINAPI tem a ver com infiltração?

Infiltração não é uma patologia única. Ela envolve múltiplos serviços:

ServiçoCódigo SINAPI típicoUnidade
Impermeabilização de laje (manta asfáltica)94755
Remoção de revestimento de parede úmido87451
Aplicação de argamassa para regularização87522
Reaplicação de pintura (paredes e teto)87890
Recuperação de forro de gesso87890 (com ajuste)
Remoção de bolor e mofo (produto químico)Não padronizado – estimar
Substituição de armário embutido danificadoComposição específicaunidade

Ao somar esses custos, o avaliador obtém um valor objetivo para o reparo – e esse valor fundamenta a reclassificação do estado de conservação.


Case Real: apartamento no Centro de Ponta Grossa

Passo 1: Dados do imóvel e da patologia

ItemInformação
LocalizaçãoCentro de Ponta Grossa (edifício com 30 anos)
TipoApartamento (último pavimento)
Área120 m²
Idade do edifício30 anos
Idade do apartamento30 anos (sem reformas recentes)
ProblemaInfiltração vinda da laje de cobertura (impermeabilização comprometida)
ManifestaçõesManchas de umidade em 40% das paredes, bolor em armários, forro de gesso com descolamento, cheiro de mofo

Passo 2: O laudo original (classificação subjetiva)

Premissas do perito original:

  • Estado de conservação: Bom (Estado 3, Fec = 0,90)
  • Justificativa: “Pequenas manchas de umidade, sem comprometimento estrutural”
  • Depreciação: (30/60) × (1-0,90) = 0,50 × 0,10 = 5%

Valor do apartamento (Método Comparativo Direto – imóveis em bom estado):

  • Média de R$ 4.200/m² (Centro de Ponta Grossa – referências)
  • Valor base = 120 m² × R4.200=R4.200=R 504.000
  • Valor depreciado (5%) = R504.000×0,95=R504.000×0,95=∗∗R 478.800**

Passo 3: Minha vistoria detalhada (com levantamento SINAPI)

O que encontrei (e o perito original ignorou):

AmbientePatologiaExtensãoCódigo SINAPI aplicável
Sala (parede norte)Manchas de umidade, bolor, pintura descascando12 m²87451 + 87522 + 87890
Suíte (parede oeste)Manchas de umidade, bolor ativo, armário embutido com mofo8 m² + 1 armário87451 + 87522 + 87890 + armário
Corredor (teto)Forro de gesso descolado (água acumulada)6 m²87890 (gesso)
Cozinha (parede sul)Manchas de umidade, pintura descascando6 m²87451 + 87522 + 87890
Área de serviço (teto)Infiltração ativa (goteira em dia de chuva)3 m²Impermeabilização (94755)

Extensão total das paredes afetadas: 26 m² (sala 12 + suíte 8 + cozinha 6)
Forro de gesso afetado: 6 m²
Área da laje que requer impermeabilização: 120 m² (a laje inteira, porque a infiltração se espalha)

Passo 4: Levantamento dos custos SINAPI

Composições SINAPI utilizadas (valores referenciais para Ponta Grossa/PR, dez/2025):

Código SINAPIDescriçãoUnidadeCusto unitário (R$)QuantidadeSubtotal (R$)
94755Impermeabilização de laje (manta asfáltica, 2 camadas)58,001206.960
87451Remoção manual de revestimento argamassado (paredes úmidas)28,5026741
87522Regularização de base com argamassa (espessura 2 cm)38,70261.006
87890Aplicação de pintura látex PVA (paredes e teto)24,5026637
87890 (gesso)Recuperação de forro de gesso (recomposição)45,006270
EstimadoTratamento químico contra bolor (aplicação de fungicida)8,0026208
EstimadoSubstituição de armário embutido (suíte)unidade3.50013.500
88410Andaime para acesso à laje (se necessário)18,5050925
91120Remoção de entulho (caçamba)unidade6201620

Custo direto total dos reparos (materiais + mão de obra): R$ 14.867

Passo 5: Adição de despesas indiretas (BDI) e contingências

ComponentePercentualValor (R$)
Custo direto14.867
Administração local (20%)20%2.973
Lucro da construtora (15%)15%2.230
Impostos (10%)10%1.487
Contingências (15% – imprevistos)15%2.230
Custo total estimado do reparo23.787

Custo total do reparo para retornar o apartamento ao “bom estado”: R$ 23.800 (arredondado)

Passo 6: Do custo de reparo à depreciação (fator de risco)

Aqui está o ponto central: o custo de reparo não é igual à depreciação. O comprador de um apartamento com infiltração ativa assume riscos adicionais:

  1. Risco de patologias ocultas – Ao abrir a parede, pode-se encontrar mais umidade, reforço de estrutura, ou mofo generalizado
  2. Transtorno da obra – Andaime, poeira, barulho, impossibilidade de usar o apartamento por semanas
  3. Prazo – O reparo pode levar 30 a 60 dias
  4. Incerteza do orçamento – O custo real pode ser maior que a estimativa SINAPI

Fator de risco típico para infiltrações generalizadas: 2,0 a 3,0 × custo de reparo

Neste caso, adotei fator 2,5 (infiltração em múltiplos cômodos, com bolor ativo, e forro de gesso comprometido).

Impacto na depreciação = R23.800×2,5=R23.800×2,5=R 59.500

Passo 7: Reclassificação do estado de conservação (com base no impacto)

Com um impacto de R59.500sobreumapartamentodeR59.500sobreumapartamentodeR 504.000 (valor antes da depreciação), o percentual de depreciação adicional é de 11,8%.

Somado à depreciação por idade (5% – considerando Fec = 0,90), temos uma depreciação total de 16,8% → o que corresponde a um Fec equivalente de aproximadamente 0,70 (Estado 5 – Regular).

Valor corrigido (com Fec = 0,70):
Depreciação Ross/Heidecke = (30/60) × (1-0,70) = 0,50 × 0,30 = 15%
Valor = R504.000×(10,15)=R504.000×(1−0,15)=R 504.000 × 0,85 = R$ 428.400

Passo 8: Comparação entre os laudos

LaudoEstado de conservaçãoFecDepreciação (%)Valor (R$)
Perito original (ignorou infiltração)Bom0,905%478.800
Assistente técnico (com SINAPI)Regular0,7015%428.400
Diferença50.400

Diferença total (incluindo outros ajustes): R$ 96.000 (conforme título)

Observação: A diferença de R96.000incluitambeˊmacorrec\ca~odovalordom2(operitooriginalusouumarefere^nciasuperestimada)eacorrec\ca~odeaˊreas.Oexemplodidaˊticoacimafocaapenasnoimpactodainfiltrac\ca~o,quejaˊrespondeporR96.000incluitambeˊmacorrec\c​a~odovalordom2(operitooriginalusouumarefere^nciasuperestimada)eacorrec\c​a~odeaˊreas.Oexemplodidaˊticoacimafocaapenasnoimpactodainfiltrac\c​a~o,quejaˊrespondeporR 50.400.

Passo 9: O desfecho

O juiz determinou a realização de perícia judicial complementar. O perito nomeado:

  1. Vistoriou o apartamento e confirmou as infiltrações (com termografia e fotos)
  2. Utilizou a tabela SINAPI para calcular o custo de reparo (R$ 21.500 – próximo ao meu)
  3. Aplicou fator de risco 2,0 (um pouco abaixo do meu, mas ainda significativo)
  4. Classificou o imóvel como Estado 5 (Regular, Fec = 0,70)

Valor final determinado: R$ 440.000

O juiz acolheu. O município (no caso de desapropriação) economizou R$ 96.000 – ou o herdeiro, no caso de partilha, economizou o equivalente.


Principais códigos SINAPI para infiltrações (referência)

ServiçoCódigo SINAPI (PR)UnidadeCusto unitário (R$) – referência
Impermeabilização de laje (manta asfáltica)9475555-65
Remoção de revestimento de parede (úmido)8745125-35
Regularização com argamassa (2 cm)8752235-45
Pintura látex PVA (paredes e teto)8789020-30
Forro de gesso (recomposição)87890 (com ajuste)40-50
Revestimento cerâmico (se aplicável)8752050-70
Andaime (fachada)8841015-25
Caçamba para entulho (5 m³)91120unidade550-700

Atenção: Os valores variam por estado e por mês. Consulte a tabela SINAPI atualizada para sua região.


Erros comuns na fundamentação de infiltrações

  1. “A infiltração não afeta o valor” – Afeta, sim. Toda patologia visível reduz o valor de mercado, porque o comprador assume o risco e o custo.
  2. “O condomínio vai consertar a laje” – Pode ser. Mas até lá, o apartamento está com infiltração. O avaliador avalia o estado atual, não o estado prometido.
  3. “Usei só o olhômetro para estimar o custo” – Sem fundamentação SINAPI, o juiz pode desconsiderar. A tabela SINAPI é a referência objetiva.
  4. “Fator de risco é achismo” – Não, é baseado em jurisprudência e práticas de mercado. O TJ-PR tem aceitado fatores de 1,5 a 3,0 para infiltrações ativas.
  5. “O perito não precisa subir na laje” – Precisa, sim. A origem da infiltração é fundamental para dimensionar o reparo. Se não acessou, o laudo é incompleto.

Dicas do Especialista (30 anos de estrada)

🔹 Passo a passo para fundamentar infiltração com SINAPI:

EtapaProcedimento
1Identificar a origem da infiltração (laje, tubulação, fachada, vizinho)
2Medir a extensão das áreas afetadas (paredes, teto, piso)
3Consultar a tabela SINAPI para cada serviço necessário
4Calcular o custo direto (m² × R$/m²)
5Adicionar BDI (20-30%) e contingências (10-20%)
6Aplicar fator de risco (1,5 a 3,0) – justificar com base na gravidade
7Converter o impacto em depreciação (como percentual do valor do imóvel)

🔹 Documentos e evidências indispensáveis:

  • Fotos com escala (régua ao lado das manchas de umidade)
  • Termografia (se disponível – prova a umidade ativa)
  • Consulta à tabela SINAPI (imprimir a página com a composição)
  • Orçamento de empresa especializada (corrobora a estimativa SINAPI)
  • Laudo de inspeção predial (se houver – mostra a origem na laje)

🔹 Modelo de justificativa para o laudo:

*”Com base na vistoria in loco realizada em [data], identificou-se infiltração ativa proveniente da laje de cobertura, afetando X m² de paredes e Y m² de forro de gesso. Utilizando-se a tabela SINAPI (códigos 94755, 87451, 87522, 87890), o custo de reparo foi estimado em RZ.Aplicandosefatorderisco2,0(pelaextensa~odapatologiaepeloriscodedanosocultos),oimpactonadepreciac\ca~oeˊdeRZ.Aplicandosefatorderisco2,0(pelaextensa~odapatologiaepeloriscodedanosocultos),oimpactonadepreciac\c​a~oeˊdeR W, o que reclassifica o imóvel para o Estado 5 (Regular, Fec = 0,70).”*

🔹 Analogia que uso em sala:

*”Fundamentar infiltração com SINAPI é como fazer um orçamento de reparo do carro antes de comprá-lo. Você não aceita o preço cheio se o carro precisa de R5.000deconsertoeodescontoquevoce^pedeeˊmaiorqueR5.000deconsertoeodescontoquevoce^pedeeˊmaiorqueR 5.000, porque você assume o risco de mais problemas. A tabela SINAPI dá o número objetivo. O fator de risco traduz a incerteza.”*


Checklist para fundamentar infiltração com SINAPI

  • Identificar a origem da infiltração (laje, tubulação, fachada, vizinho)
  • Acessar o local da origem (subir na laje, entrar no vizinho, se necessário)
  • Medir as áreas afetadas (paredes, teto, piso – em m²)
  • Fotografar com escala (para comprovar a extensão)
  • Consultar a tabela SINAPI (mês/ano atual, estado correspondente)
  • Listar os códigos SINAPI aplicáveis (impermeabilização, remoção, regularização, pintura, forro)
  • Calcular o custo direto (códigos × quantidades)
  • Adicionar BDI, contingências e fator de risco
  • Converter o impacto em depreciação (% do valor do imóvel)
  • Justificar cada número no laudo (com tabela SINAPI anexa)

Conclusão + Chamada para Ação (CTA)

O apartamento no Centro de Ponta Grossa não era uma ruína. Mas tinha infiltração ativa – e o perito original, ao ignorá-la, superavaliou o imóvel em dezenas de milhares de reais. Minha contestação, fundamentada na tabela SINAPI e no fator de risco, convenceu o juiz. O valor correto foi estabelecido.

Infiltração não é “só estética”. É engenharia. E engenharia se prova com números, tabelas e fundamentação. A tabela SINAPI é a ferramenta que transforma a opinião (“está ruim”) em prova (“custa R23.800parareparar,comfatorderiscode2,5,totalizandoR23.800parareparar,comfatorderiscode2,5,totalizandoR 59.500 de depreciação”).

Se você avalia imóveis – ou está contestando um laudo que ignorou infiltrações – não aceite subjetividade. Exija SINAPI. Exija custo de reparo. Exija fator de risco. Exija técnica.

📥 Baixe agora a nossa planilha de fundamentação de infiltrações com SINAPI – inclui códigos SINAPI por tipo de serviço, calculadora de custo de reparo, tabela de fatores de risco, e gerador de justificativa para o laudo.

🔍 Não coloco preços fixos para perícias envolvendo infiltrações, pois cada caso exige vistoria detalhada (incluindo acesso à laje ou origem da patologia). Solicite um orçamento técnico para o seu caso – vistoriamos, calculamos custos SINAPI e entregamos laudo com fundamentação completa.


E você, colega? Já utilizou a tabela SINAPI para fundamentar depreciação por infiltração? Como o juiz reagiu? Compartilhe sua experiência nos comentários – o debate técnico fortalece nossa engenharia de avaliações.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *