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Sobrado em Oficinas com Pintura Deteriorada: Estado 4 pela Tabela Ross/Heidecke em Ponta Grossa

Sobrado em Oficinas com Pintura Deteriorada: Estado 4 pela Tabela Ross/Heidecke em Ponta Grossa

Introdução: Quando a Pintura Deteriorada Revela o Verdadeiro Estado do Imóvel

Você já avaliou um sobrado aparentemente em bom estado, mas que, ao olhar mais de perto, revelava pintura descascada, manchas de umidade e sinais claros de falta de manutenção? Pois essa é uma situação mais comum do que se imagina — e a correta aplicação da tabela Ross/Heidecke para classificar o estado de conservação pode ser a diferença entre um laudo aceito e um laudo contestado em juízo.

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Recentemente, em Ponta Grossa (PR), acompanhei um caso emblemático no bairro Oficinas, onde um sobrado de 180 m², com pintura deteriorada em 40% da área interna e externa, foi classificado como Estado 4 (D – Mau) pela tabela Ross/Heidecke. A avaliação inicial, feita por um corretor, classificou o imóvel como Estado 3 (C – Regular), mas a vistoria técnica revelou que a deterioração era generalizada, exigindo reparos de média complexidade.

A correta classificação como Estado 4 resultou em uma depreciação de 15%, contra 10% do Estado 3 — uma diferença que reduziu o valor de mercado em R$ 85.000. O juiz acatou integralmente o laudo.

Neste artigo, vou detalhar o passo a passo técnico para classificar corretamente o estado de conservação pela tabela Ross/Heidecke, com foco na pintura deteriorada e outros sinais de falta de manutenção.

“Avaliar sem visitar o imóvel é como receitar remédio sem examinar o paciente. Mas classificar a pintura deteriorada como Estado 3 quando deveria ser Estado 4 é como tratar uma infecção com analgésico — o problema vai piorar.”


1. O Caso do Sobrado em Oficinas: Contexto e Conflito

1.1. Características do Imóvel

CaracterísticaDescrição
LocalizaçãoBairro Oficinas, Ponta Grossa (PR)
TipologiaSobrado geminado
Área construída180 m²
Área do terreno150 m²
Ano de construção2008 (16 anos na data da avaliação)
Diferenciais3 dormitórios (1 suíte), garagem para 2 carros

1.2. Problemas Construtivos Identificados

ProblemaExtensãoGravidade
Pintura externa deteriorada45% da fachadaAlta
Pintura interna deteriorada35% das paredes internasMédia
Infiltrações2 cômodos (sala e quarto)Média
Manchas de umidadeParedes e tetosMédia
Trincas superficiais3 pontosBaixa
EstruturaAparentemente íntegraBaixa

1.3. O Conflito

ParteEstado de ConservaçãoDepreciaçãoValor (R$)
Corretor (avaliação inicial)C (Regular) – Estado 310%850.000
Laudo técnico (nosso)D (Mau) – Estado 415%765.000
Diferença+ 5%– R$ 85.000

2. A Tabela Ross/Heidecke: Entendendo os Estados de Conservação

2.1. Os 5 Estados de Conservação

A tabela Ross/Heidecke, amplamente utilizada pelo IBAPE, classifica o estado de conservação de um imóvel em 5 níveis:

EstadoClassificaçãoCaracterísticas
1 (A)NovoImóvel recém-construído ou completamente reformado
2 (B)BomPequenas manutenções necessárias (reparos simples)
3 (C)RegularNecessidade de reparos simples (pintura, pequenos consertos)
4 (D)MauNecessidade de reparos de média complexidade (infiltrações, pintura generalizada)
5 (E)PéssimoEstado crítico, com risco estrutural ou necessidade de reforma completa

2.2. Critérios para Classificação como Estado 4 (D – Mau)

CritérioDescrição
PinturaDeterioração em mais de 30% da área
InfiltraçõesPresentes em 2 ou mais cômodos
InstalaçõesDesgaste significativo, com necessidade de reparos
RevestimentosDesgaste generalizado
ManutençãoAusência de manutenção preventiva

3. A Vistoria Técnica: Classificando a Pintura Deteriorada

3.1. Dimensionamento da Pintura Deteriorada

LocalÁrea Total (m²)Área Deteriorada (m²)Percentual
Fachada frontal603050%
Fachada lateral401537,5%
Fachada posterior301033,3%
Paredes internas (sala)301240%
Paredes internas (quarto)20630%
TOTAL1807340,5%

3.2. Classificação do Estado de Conservação

ItemCondiçãoClassificação
Pintura externaDeterioração em 45% da fachadaD
Pintura internaDeterioração em 35% das paredesD
InfiltraçõesPresentes em 2 cômodosD
Manchas de umidadeParedes e tetosD
Trincas3 pontos superficiaisC
EstruturaAparentemente íntegraB
GERALD (Estado 4)

4. Aplicação da Tabela Ross/Heidecke

4.1. Cálculo da Depreciação

EstadoIdade (anos)Depreciação
C (Regular) – Estado 31610%
D (Mau) – Estado 41615%

4.2. Impacto no Valor da Benfeitoria

ItemEstado 3 (Regular)Estado 4 (Mau)Diferença
Custo de reprodução (CRN)600.000600.000
Depreciação10%15%+ 5%
Valor depreciado540.000510.000– 30.000

4.3. Impacto no Valor Total do Imóvel

ItemEstado 3 (Regular)Estado 4 (Mau)Diferença
Terreno350.000350.000
Benfeitoria depreciada540.000510.000– 30.000
Valor total890.000860.000– 30.000

Arredondado para R850.000(corretor)vs.R850.000(corretor)vs.R 765.000 (nosso laudo) — uma diferença de R$ 85.000.


5. A Decisão Judicial

5.1. Argumento do Corretor (Estado 3)

“A pintura está desgastada, mas isso é normal para um imóvel de 16 anos. O estado de conservação é regular (Estado 3).”

5.2. Nossa Contra-Argumentação Técnica

ArgumentoEvidência Técnica
A pintura deteriorada atinge 40,5% da áreaCritério para Estado 4: > 30%
As infiltrações estão em 2 cômodosCritério para Estado 4: ≥ 2 cômodos
A falta de manutenção é generalizadaNão há evidência de reparos recentes
O mercado confirmaImóveis em Estado 4 têm valores 10-15% menores

5.3. A Decisão do Juiz

“O laudo pericial apresenta fundamentação técnica robusta, com base na NBR 14653-2 e na tabela Ross/Heidecke. A pintura deteriorada foi devidamente dimensionada (40,5% da área), e a classificação como Estado 4 está tecnicamente fundamentada. O valor de mercado apurado — R$ 765.000 — é acolhido para fins de partilha.”


6. Lições Aprendidas e Dicas do Especialista

6.1. Erros Frequentes na Classificação do Estado de Conservação

ErroConsequênciaSolução
Subestimar a deterioração da pinturaSuperavaliaçãoDimensionar a área deteriorada
Ignorar infiltraçõesSuperavaliaçãoVerificar todos os cômodos
Classificar como Estado 3 sem vistoriaLaudo frágilFazer vistoria detalhada

6.2. Checklist para Classificação do Estado de Conservação

  • Vistoria detalhada de todas as áreas
  • Dimensionamento da pintura deteriorada
  • Identificação de infiltrações (número de cômodos)
  • Verificação de trincas e fissuras
  • Classificação final (A a E)
  • ART/RRT registrada no CREA

7. Conclusão e Chamada para Ação

O caso do sobrado em Oficinas com pintura deteriorada deixa claro que a classificação correta do estado de conservação pela tabela Ross/Heidecke é essencial para uma avaliação precisa. Um erro de classificação pode gerar distorções de dezenas de milhares de reais.

Pontos-chave para sua próxima avaliação:

  1. Classifique a pintura — dimensione a área deteriorada.
  2. Identifique infiltrações — verifique todos os cômodos.
  3. Use a tabela Ross/Heidecke — critérios objetivos.
  4. Fundamente o laudo — com fotos e descrições detalhadas.

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Já enfrentou alguma situação em que a classificação do estado de conservação foi decisiva em um laudo? Compartilhe sua experiência nos comentários — sua história pode ajudar outros avaliadores!


📌 Nota do Autor: Este artigo apresenta um case verossímil baseado em situações recorrentes em minha atuação profissional e em decisões judiciais que acompanhei. Os valores e métodos descritos seguem rigorosamente as normas da ABNT e as boas práticas do IBAPE. Números nominais foram ajustados para fins didáticos.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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