Side Capital capta R$ 280 milhões e vai atrás de imóveis ícones
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Os juros elevados impactam o mercado imobiliário, encarecendo o crédito e dificultando a demanda, mesmo no segmento de alto padrão. A Side Capital surge como uma solução, conectando investidores a empreendimentos residenciais de luxo em São Paulo, permitindo que participem da valorização desde a aquisição do terreno. O modelo é semelhante a um club deal, mas com curadoria de negócios que não estão disponíveis para investidores privados.
Em quatro meses, a Side captou R$ 280 milhões, com a meta de R$ 500 milhões em um ano. O BS2 é o maior investidor, com R$ 200 milhões. A Side já participou de projetos como o Emiliano Itaim e busca produtos icônicos, como branded residences. Os investidores esperam retornos superiores a 20%, com a venda das unidades intermediada pela Jardins&Co, facilitando reinvestimentos em novos projetos.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Os juros elevados pressionam o mercado imobiliário por diferentes frentes: encarecem o crédito, aumentam o custo de capital das incorporadoras e dificultam a demanda por imóveis. Mesmo no segmento de alto padrão, em que os compradores tendem a ser mais resilientes e há maior espaço para repassar preços, o custo dos terrenos e a necessidade de financiar as etapas iniciais dos projetos tornam os lançamentos mais desafiadores.
É nesse cenário que a Side Capital busca ampliar o acesso de investidores privados a empreendimentos residenciais de luxo em São Paulo. A empresa aproxima incorporadoras que precisam de recursos para viabilizar projetos de investidores interessados em participar da valorização dos imóveis desde as fases iniciais.
A proposta é semelhante a um club deal, em que wealth managers investem diretamente em um ativo. A diferença, segundo os fundadores, está na curadoria de negócios que pretende estruturar o acesso a operações selecionadas que não costumam estar disponíveis nem ao investidor privado.
“Há interesse dos incorporadores em aumentar as fontes de captação justamente pelo momento de dificuldade de mercado. Em outros cenários, esses produtos nem abriram para investidores externos. Vemos como uma oportunidade”, afirma Roberto Coelho da Fonseca, cofundador e sócio da Side, ao NeoFeed.
Roberto foi diretor-geral da área de lançamentos na tradicional imobiliária de luxo Coelho da Fonseca que leva o sobrenome da família, fundada por seu pai e tio. O segundo cofundador da Side vem do mesmo ramo: Raphael Guaraná é CEO da imobiliária Jardins&Co, especializada no mercado de alto padrão.
“Oferecemos um capital mais barato para o incorporador, porque esse investidor não cobra os juros de uma instituição bancária ou financeira. Existe um desconto no lucro geral do empreendimento, mas é algo que garante um ciclo mais tranquilo de incorporação”, diz Guaraná.
Silvana Dorta, sócia da Jardins&Co, também entrou na sociedade da Side, assim como o engenheiro e terrenista Felipe Bettoni.
Em cerca de quatro meses, a Side captou R$ 280 milhões. A meta é fechar os primeiros 12 meses de operação com R$ 500 milhões captados. O Banco BS2 é o maior investidor da Side, com aporte de R$ 200 milhões.
A base de cerca de 20 investidores reúne ainda empresários de alto patrimônio, family offices e clientes de bancos private de diferentes regiões do país, além de relacionamentos internacionais – os nomes são preservados por razões contratuais.
Um dos projetos em que a Side participou é o empreendimento Emiliano Itaim, desenvolvido pelo grupo hoteleiro em parceria com a incorporadora Lavvi, da Cyrela. Em um terreno de 4 mil metros quadrados, o projeto prevê duas torres: uma destinada ao hotel, com 54 quartos, e outra residencial, com unidades de cerca de 250 metros quadrados.

Os investidores conectados ao empreendimento pela Side responderam pela compra de cerca de 30% das unidades. Segundo os executivos, a participação ajuda a ilustrar como o capital privado pode contribuir para a comercialização inicial dos projetos.
Além da Lavvi, a Side tem parceria também com a Lindenberg para o edifício que leva o nome do fundador da construtora e será construído na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais disputados do alto padrão paulistano.
A Side também tem parcerias com as incorporadoras Zabo e Lux, em projetos ainda não divulgados. A companhia está em fase de captação para mais quatro empreendimentos e estuda fechar negócio em outros três.
“Estamos especialmente interessados em produtos ícone, como branded residences que tenham uma mescla de residencial e hotelaria. Buscamos produtos que façam [o próprio] preço e não acompanhem simplesmente o bairro”, diz Guaraná.
Do lado dos investidores, a aposta é entrar antes do lançamento e capturar parte da valorização do empreendimento. Segundo o executivo, a expectativa de retorno é de mais de 20%, embora o resultado dependa do desempenho de cada projeto e das condições de saída.
A venda também terá o acompanhamento da Side. O plano é que a Jardins&Co intermedeie a venda das unidades adquiridas, conforme as condições de cada operação. A ideia é facilitar a realização do ganho e manter os investidores na rede para reinvestir em novos projetos.
“O retorno para o investidor vem exclusivamente da venda de ativos. É possível que seja feita uma revenda antes da conclusão do projeto ou, se a saída for realizada com o empreendimento já finalizado, ela é feita com o apoio da Jardins – até para estimular uma recorrência”, diz Coelho da Fonseca.
