Estoques de imóveis dispara 44% em SP, mas Abecip rejeita risco de excesso de oferta
O avanço dos estoques de imóveis, especialmente na cidade de São Paulo, chamou atenção no balanço do primeiro semestre divulgado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) na última terça-feira, 28 de julho.
Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Secovi-SP apresentados pela entidade mostram que os estoques cresceram 8% no Brasil, para 351 mil unidades, e 44% na capital paulista, para 89 mil unidades, na comparação entre janeiro e maio de 2026 e o mesmo período do ano passado.
O movimento ocorre justamente em um momento em que o mercado continua registrando expansão nas vendas e nos lançamentos. O cenário levou a Abecip a afastar, ao menos por enquanto, a interpretação de que o aumento da oferta represente um problema para o setor.
Vendas continuam avançando
Os dados apresentados pela entidade mostram que a expansão dos estoques não ocorreu em um ambiente de desaceleração da demanda.
No Brasil, as vendas de imóveis cresceram 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, para 111 mil unidades vendidas. Em São Paulo, a alta foi ainda maior, de 9%, para 103 mil unidades, considerando os dados acumulados entre janeiro e maio.
Os lançamentos também mantiveram trajetória positiva na capital paulista, crescendo 11% na mesma base de comparação, para 53 mil unidades, apesar de o volume nacional ter caído 5%, para 98 mil unidades, após um forte avanço observado no ano passado.
Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário avançou 23% no primeiro semestre, financiando cerca de 680 mil imóveis, considerando concessões de construção e aquisição.
Abecip não vê excesso de oferta, mas diz que crescimento nos distratos em SP liga um alerta
Para Michel Cury, presidente da Abecip, o indicador de estoque deve ser acompanhado, mas rejeitou maiores conclusões. “O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta”, afirmou.
Segundo Cury, o mercado passa por ajustes naturais entre o ritmo de lançamentos e o de absorção das unidades. Já a taxa média de distratos sobre vendas dos últimos 12 meses passou de aproximadamente 4,5% em 2024 para 4,8% neste ano.
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Para Cury, o movimento merece acompanhamento, mas ainda não caracteriza deterioração relevante do mercado. “Quando olhamos para a parte dos distratos, notem que tem um ligeiro aumento aqui no ano de 2026. É uma pequena elevação. Não tem uma conclusão imediata aqui de deterioração. O indicador precisa ficar em alerta. É um tema que precisa ficar em acompanhamento”, afirmou durante a apresentação.
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O que explica o aumento dos estoques?
Embora a Abecip não tenha detalhado a composição dos estoques por segmento, os dados apresentados sugerem que a oferta vem crescendo mais rapidamente do que a absorção do mercado.
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Essa dinâmica aparece especialmente em São Paulo, onde os lançamentos avançaram 11%, as vendas cresceram 9% e os estoques saltaram 44%.
Uma das hipóteses levantadas é que incorporadoras continuam apostando em uma demanda sustentada pelos bons indicadores de emprego e renda, além da expansão dos financiamentos habitacionais com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Minha Casa, Minha Vida.
No primeiro semestre, os financiamentos via FGTS cresceram 22% e somaram R$ 77,6 bilhões, enquanto as operações de aquisição de imóveis com recursos da poupança avançaram 12%.
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Mercado continua otimista, mas monitora juros
Apesar da leitura positiva sobre a demanda, o setor reconhece que a trajetória dos juros continua sendo um fator de atenção. A Abecip destacou que as curvas de juros de médio e longo prazo subiram ao longo do primeiro semestre, elevando os custos de captação das instituições financeiras. Mesmo assim, a entidade não vê impactos relevantes sobre a disponibilidade de crédito neste momento.
“A gente não vê uma redução da disponibilidade de crédito”, afirmou Cury ao responder uma pergunta sobre a relação entre custos de financiamento e aumento dos estoques.
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