Como Sorocaba, Barueri e Ribeirão Preto viraram motores do mercado imobiliário de SP
São Paulo continua sendo o principal mercado imobiliário do Brasil, mas os dados do Índice de Demanda Imobiliária (IDI) do segundo trimestre mostram que o protagonismo do estado está cada vez menos concentrado na capital, uma tendência que o Secovi-SP diz acompanhar de perto.
O IDI, elaborado por Sienge, CV CRM e Grupo Prospecta em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), avalia a atratividade de 84 cidades brasileiras para novos empreendimentos com base em indicadores como demanda por imóveis, dinâmica econômica, velocidade de vendas e desempenho dos lançamentos.
Além de liderar o ranking nacional de demanda por imóveis de médio padrão e ocupar posições de destaque nos segmentos econômico e de alto padrão, São Paulo ampliou a presença de cidades do interior e da Região Metropolitana entre os mercados mais atrativos para novos lançamentos.
O movimento aparece em diferentes faixas de renda e sugere que as incorporadoras vêm encontrando oportunidades de crescimento além da capital, em municípios que combinam demanda aquecida, bom desempenho comercial dos lançamentos e economia dinâmica.
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No segmento econômico, voltado a famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis de R$ 115 mil a R$ 575 mil, São Paulo manteve a segunda colocação nacional, atrás apenas de Fortaleza.
Já no médio padrão, destinado a famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e imóveis de R$ 575 mil a R$ 811 mil, a capital liderou o ranking pelo terceiro trimestre consecutivo.
No alto padrão, voltado a famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis acima de R$ 811 mil, a cidade ficou na segunda posição, atrás apenas de Brasília.
O interior avança
Embora a capital continue liderando os segmentos de maior renda, alguns dos movimentos mais expressivos desta edição ocorreram fora dela.
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No mercado de alto padrão, Sorocaba avançou 20 posições e entrou no Top 20 nacional. Ribeirão Preto subiu 12 colocações, alcançando a 17ª posição e também passando a integrar o grupo das 20 cidades mais atrativas do país. Campinas (15ª) e Jundiaí (19ª) já figuravam entre as líderes e mantiveram espaço no ranking.
Com isso, o interior paulista passou a ocupar quatro das 20 primeiras posições do ranking nacional de alto padrão, reforçando a consolidação de mercados regionais capazes de absorver novos empreendimentos.
No médio padrão, Barueri foi um dos destaques ao avançar da 20ª para a 14ª posição. Ribeirão Preto aparece logo atrás, em 15º lugar. Segundo os organizadores do IDI, a cidade acumula um salto de 46 posições nos últimos 12 meses, impulsionada pelo bom desempenho comercial de lançamentos mais antigos.
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No segmento econômico, Sorocaba subiu sete posições e chegou ao 12º lugar, enquanto Jundiaí avançou para a 13ª posição. Fora do Top 20, Indaiatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto também registraram avanços relevantes no trimestre.
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Um mercado do tamanho de um estado
Os resultados do índice refletem uma transformação em curso há décadas no estado de São Paulo. A população do interior paulista mais que dobrou nos últimos 40 anos, passando de cerca de 16 milhões para 33 milhões de habitantes. No mesmo período, a capital cresceu de 8,5 milhões para 11,6 milhões de moradores.
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O avanço também se reflete na habitação. Entre 1980 e 2020, o número de domicílios no interior saltou de 5,5 milhões para 11,2 milhões. Na cidade de São Paulo, o total passou de 2,8 milhões para 4,5 milhões.
“O interior paulista construiu outra capital”, afirma Frederico Marcondes Cesar, vice-presidente do Interior do Secovi-SP, em entrevista ao InfoMoney.
Segundo ele, infraestrutura, mobilidade, universidades, mão de obra qualificada e atração de empresas ajudam a explicar o desempenho observado nas cidades do interior.
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“Hoje cresce todo o interior paulista. Há uma pujança ligada ao agronegócio, às universidades e à atividade industrial. No raio de 100 quilômetros da capital, as pessoas conseguem morar, instalar empresas e permanecer próximas dos grandes centros consumidores”, diz.
Para Marcondes, a pandemia acelerou o movimento de migração para cidades nesse cinturão ao redor da capital, ampliando a demanda por moradia em diferentes faixas de renda e fortalecendo os mercados locais.
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Lançamentos confirmam a tendência
Os dados do Secovi-SP mostram que o movimento identificado pelo IDI não está restrito à demanda. A produção imobiliária também vem acompanhando essa mudança.
Cidades com mais lançamentos residenciais em 2025 (fora da capital)
| Cidade | Unidades lançadas |
|---|---|
| Sorocaba | 8.310 |
| Indaiatuba | 4.899 |
| São José dos Campos | 4.749 |
| Campinas | 4.526 |
| São José do Rio Preto | 3.894 |
| Barueri | 3.575 |
| Guarulhos | 3.212 |
| Ribeirão Preto | 3.144 |
Sorocaba liderou os lançamentos residenciais no interior paulista em 2025, com 8.310 unidades, quase o dobro do registrado por cidades tradicionais como Campinas e Ribeirão Preto.
Maiores crescimentos de lançamentos entre 2024 e 2025
| Cidade | Crescimento |
|---|---|
| Sorocaba | +86% |
| Indaiatuba | +71% |
| São José dos Campos | +69% |
| São José do Rio Preto | +43% |
| Mogi das Cruzes | +35% |
Os números reforçam a leitura do IDI. Sorocaba, que entrou no Top 20 nacional do alto padrão, também foi a cidade com maior volume de lançamentos fora da capital. Já Indaiatuba e São José dos Campos registraram expansão próxima de 70%, enquanto São José do Rio Preto cresceu mais de 40%.
Barueri também chama atenção. Além do avanço no ranking de demanda do médio padrão, a cidade lançou 3.575 unidades em 2025 e acumulou quase 9 mil lançamentos nos últimos três anos.
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Dentro da capital
Se o interior apresentou movimentos relevantes, o recorte da cidade de São Paulo revela um mercado mais estável.
No segmento econômico, a Zona Oeste manteve a liderança pelo quarto trimestre consecutivo, seguida pelas zonas Leste e Sul. Norte e Centro continuaram nas últimas posições.
O mesmo ocorreu no médio padrão. A Zona Oeste permaneceu na liderança, à frente das zonas Sul e Leste, repetindo a configuração observada no trimestre anterior.
No alto padrão, a hierarquia está ainda mais consolidada. A Zona Sul lidera o ranking, seguida pela Zona Oeste. Leste, Centro e Norte completam a classificação. A ordem permanece inalterada há quatro trimestres consecutivos.
Segundo o levantamento, a liderança da Zona Sul é sustentada por indicadores ligados à demanda e à velocidade de vendas dos lançamentos, enquanto a Zona Oeste continua se beneficiando do dinamismo econômico e do forte desempenho comercial dos empreendimentos.
