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APARTAMENTO NO CENTRO DE CURITIBA COM PINTURA DESCASCANDO: ESTADO 4 OU ESTADO 3 NA DEPRECIAÇÃO?

APARTAMENTO NO CENTRO DE CURITIBA COM PINTURA DESCASCANDO: ESTADO 4 OU ESTADO 3 NA DEPRECIAÇÃO?


INTRODUÇÃO

Você já se deparou com um imóvel aparentemente bem localizado, mas com a pintura externa descascando, manchas de umidade nas paredes e aquele ar de “falta de manutenção”?

Agora, responda: esse imóvel está em Estado 3 (Regular) ou Estado 4 (Necessitando reparos simples) na tabela de Ross/Heidecke?

Essa dúvida é mais comum do que você imagina. E a resposta não é apenas acadêmica — ela impacta diretamente o valor do imóvel.

Um apartamento no Centro de Curitiba avaliado em R500milpodesofrerumareduc\ca~odeateˊ15500milpodesofrerumareduc\c​a~ode∗∗ateˊ15 75 mil** de diferença.

Neste artigo, vou mostrar como fazer essa distinção corretamente, com base na NBR 14653-2, na tabela de Heidecke e em casos reais que atendi na região central de Curitiba.


O QUE DIZ A TABELA DE HEIDECKE?

A tabela de Ross/Heidecke, amplamente utilizada no Brasil e referendada pelo IBAPE Nacional, classifica os imóveis em 8 estados de conservação, do melhor (Estado 1) ao pior (Estado 8).

Vamos focar nos dois estados que mais geram dúvidas:

EstadoDenominaçãoCoeficiente CHDescrição (IBAPE-SP, 2014)
Estado 3Regular0,181“Necessitando de reparos simples, como pintura, limpeza, pequenos consertos”
Estado 4Necessitando reparos simples0,433“Deterioração visível: descascamento de pintura, manchas, umidade, trincas abertas, revestimento se destacando”

Observação importante: A descrição do Estado 4 menciona “descascamento de pintura” — mas isso por si só não é suficiente para classificá-lo como Estado 4. É preciso avaliar a extensão, a gravidade e o contexto do dano.


O GRANDE EQUÍVOCO DOS AVALIADORES INICIANTES

Vejo com frequência avaliadores classifiando qualquer imóvel com pintura descascando como Estado 4, sem considerar:

  1. A extensão do dano (5% da área afetada ou 80%?)
  2. A localização do dano (fachada, área interna, área de serviço?)
  3. A possibilidade de reparo localizado (basta pintar ou precisa remover o revestimento?)
  4. A idade do imóvel (pintura descascando com 2 anos é muito diferente de 20 anos)

Uma analogia: Classificar um imóvel como Estado 4 apenas por pintura descascando é como diagnosticar uma gripe como pneumonia só porque o paciente está tossindo. É preciso avaliar o conjunto dos sintomas.


APARTAMENTO NO CENTRO DE CURITIBA: CASE REAL

Situação do imóvel

CaracterísticaDado
LocalizaçãoRua XV de Novembro, Centro de Curitiba
Área construída85 m²
Idade cronológica12 anos
TipoApartamento, 4º andar, sem elevador
O que foi observadoPintura interna descascando em 3 cômodos; pintura externa da fachada com desgaste uniforme; trinca pequena na parede da sala (0,5mm); sem infiltrações visíveis

Análise técnica

Ponto 1: Extensão do dano

  • Descascamento de pintura: ≈15% da área pintada
  • Não há descolamento de revestimento
  • Não há bolor ou umidade ativa

Ponto 2: Localização do dano

  • Danos concentrados em áreas de maior uso (sala, corredor)
  • Fachada com desgaste uniforme (12 anos, natural)

Ponto 3: Possibilidade de reparo

  • Basta lixar e pintar novamente
  • Não exige remoção de revestimento
  • Não exige andaimes (área interna)

Conclusão do caso

CritérioEstado 3 (Regular)Estado 4 (Reparos simples)
Extensão do dano✅ Até 30% da área❌ Geralmente >50%
Descolamento de revestimento✅ Não há❌ Presente
Necessidade de remoção✅ Não❌ Sim
Infiltração ativa✅ Não❌ Sim

Classificação adotada: Estado 3 (Regular)

Justificativa: A pintura descascada, embora visível, não está associada a descolamento de revestimento, infiltração ou necessidade de remoção completa. Um serviço de lixamento e pintura é suficiente para restaurar as condições originais.


QUANDO O ESTADO 4 É REALMENTE APLICADO?

Com base em casos que atendi, o Estado 4 deve ser aplicado quando:

Checklist para Estado 4:

  • O descascamento de pintura atinge mais de 50% da área da fachada ou do ambiente
  • Há descolamento de revestimento (grafiato, cerâmica, textura)
  • Há manchas de umidade ativa (não apenas antigas)
  • Há trincas abertas (largura >1mm)
  • O reparo exige equipamento especializado (andaimes, remoção mecânica)
  • O custo estimado de reparo supera 5% do valor do imóvel

Exemplo de caso que justifica Estado 4:

Situação real que atendi em Curitiba (Batel):

CaracterísticaDado
LocalizaçãoRua Gutierrez, Batel
ProblemaGrafiato da fachada principal descolado em ≈70% da área
CausaAusência de manutenção preventiva (recomendada a cada 8-10 anos)
SoluçãoRemoção completa + nova aplicação
Custo estimadoR$ 28.000 (≈8% do valor do imóvel)

Classificação: Estado 4 (Necessitando reparos simples)
Justificativa: A extensão do dano (70% da fachada) e a necessidade de remoção completa do revestimento justificam a classificação mais grave.


COMO CALCULAR O IMPACTO DA DEPRECIAÇÃO NO VALOR

A fórmula Ross/Heidecke para o fator de depreciação (Fd) é:

text

α = ½ × [(Id/Vu)² + (Id/Vu)]

Fd = R + (1-R) × [α + (1-α) × CH]

Onde:

  • Id = Idade (real ou aparente)
  • Vu = Vida útil estimada (65 anos para apartamento)
  • R = Valor residual (20%)
  • CH = Coeficiente de Heidecke (0,181 para Estado 3; 0,433 para Estado 4)

Exemplo prático:

Apartamento no Centro de Curitiba:

  • Valor de construção (custo novo): R$ 500.000
  • Idade: 15 anos
  • Vida útil: 65 anos
EstadoCHFdValor depreciadoDiferença
Estado 30,1810,564R$ 282.000
Estado 40,4330,421R$ 210.500R$ 71.500

Conclusão: A diferença entre classificar corretamente o imóvel como Estado 3 ou erroneamente como Estado 4 é de R$ 71.500 neste exemplo.


A IMPORTÂNCIA DA VISTORIA TÉCNICA

Você sabia que a maioria das classificações equivocadas acontece porque o avaliador não fez uma vistoria presencial adequada?

Checklist mínimo para uma vistoria que permita classificar corretamente:

ItemO que verificarFerramenta
PinturaDescascamento, bolhas, descolamentoFoto macro + régua
RevestimentoTrincas abertas (>1mm), descolamentoFoto + anotação da extensão
UmidadeManchas ativas, bolor, mofoMedidor de umidade (se disponível)
CoberturaInfiltração, telhas quebradasFoto do forro + telhado
EsquadriasOxidação, podridão (madeira), vedaçãoTeste de abertura/fechamento
InstalaçõesVazamentos aparentes, fiação expostaVistoria visual

Dica do especialista: Sempre documente os danos com fotos datadas e georreferenciadas. Em caso de contestação judicial, essa é a única prova que o juiz aceitará.


ERROS FREQUENTES EM LAUDOS (E COMO EVITÁ-LOS)

Erro 1: Classificar sem justificativa

O que acontece: O laudo diz “Estado 4” sem explicar por quê.

Como evitar: Sempre anexe uma tabela de danos observados, com descrição técnica e fotos.

Erro 2: Ignorar a NBR 14653-2, item 8.2.3

O que acontece: Usa-se idade cronológica quando deveria usar idade aparente (ou vice-versa).

Como evitar: Se o imóvel tem sinais de desgaste acelerado, justifique a idade aparente com base na norma.

Erro 3: Não quantificar o custo de reparo

O que acontece: O avaliador afirma “reparos simples” sem saber quanto custa o serviço.

Como evitar: Para danos graves (grafiato descolado, infiltração), anexe um orçamento ou estimativa SINAPI.

Erro 4: Aplicar CH errado por falta de conhecimento da tabela

O que acontece: CH=0,433 (Estado 4) aplicado em imóvel que deveria ser Estado 3.

Como evitar: Tenha sempre à mão a tabela de Heidecke e compare a descrição com o que você viu.


CHECKLIST PARA CLASSIFICAÇÃO CORRETA

Antes de definir o estado de conservação no seu laudo, verifique:

  • A vistoria foi realizada presencialmente?
  • Todos os danos foram fotografados com data e localização?
  • A extensão do dano foi quantificada (percentual de área afetada)?
  • Foi verificada a presença de descolamento de revestimento?
  • Foi verificada a presença de infiltração ativa?
  • O custo estimado de reparo foi calculado (pelo menos para danos graves)?
  • A classificação foi comparada com a descrição literal da tabela de Heidecke?
  • A idade aparente foi justificada (se diferente da cronológica)?
  • O coeficiente CH aplicado corresponde exatamente ao estado declarado?

CONCLUSÃO

Classificar corretamente o estado de conservação de um imóvel é uma arte que exige técnica, experiência e honestidade intelectual.

Em resumo:

SituaçãoClassificação recomendada
Pintura descascando em até 30% da área, sem outros danosEstado 3 (Regular)
Pintura descascando em mais de 50% da área + descolamento de revestimentoEstado 4 (Reparos simples)
Descolamento de revestimento com necessidade de remoção completaEstado 4 (ou até Estado 5)
Infiltração ativa + trincas abertas + revestimento destacadoEstado 5 (Reparos importantes)

Um imóvel no Centro de Curitiba com pintura descascando, mas sem outros danos significativos, é Estado 3, não Estado 4. A diferença de valor pode chegar a R$ 70 mil.

A avaliação imobiliária não é um palpite — é uma ciência aplicada. E a ciência exige precisão.


QUER APRENDER MAIS?

Se você quer dominar a classificação de imóveis e nunca mais errar na hora de aplicar o Ross/Heidecke, estou à disposição para tirar suas dúvidas.

Solicite um orçamento para sua avaliação ou entre em contato para uma consultoria técnica.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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