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Avaliação
O que avaliar primeiro: imóvel, ativos ou fundo de comércio?

O que avaliar primeiro: imóvel, ativos ou fundo de comércio?

Introdução

Ao longo de 30 anos avaliando postos de combustível, uma das perguntas mais frequentes de profissionais iniciantes (e até de alguns experientes) é: “Engenheiro, por onde começo a avaliação? Pelo imóvel, pelos equipamentos ou pelo fundo de comércio?”

É uma excelente pergunta. A ordem de avaliação importa — não apenas para a eficiência do trabalho, mas também para a consistência do resultado final.

Cada componente tem sua própria lógica, seu próprio método e suas próprias fontes de dados. Mas eles não são independentes: o valor do fundo de comércio, por exemplo, depende da rentabilidade gerada pelo imóvel e pelos ativos.

Neste artigo, vou explicar, com base em minha experiência e no rigor da NBR 14653, qual a ordem recomendada para avaliar os componentes de um posto e por que essa sequência faz sentido técnico.

⚠️ Importante: Este artigo é direcionado a avaliadores, engenheiros e estudantes. Proprietários também se beneficiarão ao entender como o processo funciona.


1. A visão geral: os três componentes e suas interdependências

ComponenteO que éMétodo predominanteDepende de
ImóvelTerreno + benfeitorias (edificações)Comparativo direto de dados de mercadoPouco (mercado imobiliário local)
AtivosTanques, bombas, equipamentosCusto de reprodução depreciadoCusto de equipamentos novos + vida útil
Fundo de comércioPonto, clientela, bandeira, reputaçãoCapitalização da renda (fluxo de caixa)Depende do imóvel e dos ativos (a operação ocorre neles)

📌 Analogia que uso: “Avaliar um posto é como montar um quebra-cabeça de três peças. O imóvel e os ativos são as bordas — mais fáceis de avaliar isoladamente. O fundo de comércio é o centro — depende das bordas para fazer sentido.”

A ordem recomendada é:

  1. Imóvel (primeiro, pois é o mais independente)
  2. Ativos (segundo, usando o método do custo)
  3. Fundo de comércio (terceiro, usando o fluxo de caixa gerado pelo imóvel + ativos)

2. Por que começar pelo imóvel?

2.1. O imóvel é o componente mais independente

O valor do imóvel (terreno + benfeitorias) é determinado principalmente pelo mercado imobiliário local — valores de terrenos comerciais, construção, depreciação. Ele não depende (ou depende pouco) da operação do posto.

Vantagem de avaliar primeiro:

  • Você estabelece uma base sólida, com dados de mercado objetivos
  • O valor do imóvel será usado depois para calcular a remuneração dos ativos tangíveis no método da renda

2.2. Método: comparativo direto de dados de mercado

Passos:

  1. Pesquise terrenos comerciais vendidos recentemente na região (R$/m²)
  2. Pesquise custos de construção (R$/m²) para as benfeitorias (loja, escritórios, cobertura)
  3. Aplique depreciação conforme idade e estado de conservação
  4. Chegue ao valor do imóvel (terreno + benfeitorias depreciadas)

2.3. Documentos necessários para o imóvel:

  • Matrícula atualizada
  • IPTU
  • Planta e medições (se disponíveis)
  • Fotos da vistoria

3. Segundo: os ativos (tanques, bombas, equipamentos)

3.1. Por que avaliar os ativos depois do imóvel?

Os ativos são bens móveis (tanques enterrados são tecnicamente bens móveis, embora fixos no solo). Seu valor é determinado pelo custo de reprodução novo menos a depreciação.

Vantagem de avaliar segundo:

  • O imóvel já foi avaliado (não interfere)
  • Os ativos serão usados no cálculo do fundo de comércio (para deduzir a remuneração dos ativos tangíveis)

3.2. Método: custo de reprodução depreciado

Fórmula:

text

Valor do ativo = (Custo de reprodução novo) - (Depreciação acumulada)

Passos:

  1. Levante todos os ativos (tanques, bombas, SAO, compressores, etc.)
  2. Pesquise o custo de equipamento novo similar (cotações atuais)
  3. Estime a vida útil remanescente (tanques: 15-25 anos; bombas: 10-15 anos)
  4. Aplique depreciação (linear, Ross/Heidecke ou outra tabela técnica)
  5. Ajuste por estado de conservação (ótimo, bom, regular, mau)

3.3. Documentos necessários para os ativos:

  • Notas fiscais de compra (se disponíveis)
  • Laudos de estanqueidade (tanques)
  • ARTs de instalação
  • Registros de manutenção

4. Terceiro: o fundo de comércio (a parte mais complexa)

4.1. Por que avaliar por último?

O fundo de comércio representa o valor do negócio operacional — o que ele gera de caixa além da remuneração dos ativos tangíveis (imóvel + equipamentos).

Depende dos dois primeiros:

  • A operação ocorre no imóvel (ponto comercial)
  • A operação utiliza os ativos (tanques, bombas)
  • O fluxo de caixa gerado não pode ser maior do que a capacidade do imóvel + ativos

Vantagem de avaliar por último:

  • Você já tem os valores do imóvel e dos ativos
  • Pode calcular a remuneração dos ativos tangíveis (o custo de oportunidade do capital investido neles)
  • O valor residual do fluxo de caixa é o fundo de comércio

4.2. Método: capitalização da renda

Fórmula conceitual:

text

Valor do fundo de comércio = (Receita líquida operacional - Remuneração dos ativos tangíveis) / Taxa de capitalização

Onde:

  • Receita líquida operacional: fluxo de caixa gerado pelo posto (histórico e projetado)
  • Remuneração dos ativos tangíveis: quanto o imóvel e os equipamentos renderiam se fossem alugados separadamente (ou custo de oportunidade)
  • Taxa de capitalização: retorno esperado pelo comprador (12% a 18% ao ano, dependendo do risco)

Passos:

  1. Obtenha as demonstrações financeiras (DRE, fluxo de caixa) dos últimos 3-5 anos
  2. Calcule o EBITDA recorrente (descartando itens não recorrentes)
  3. Deduza a remuneração dos ativos tangíveis (imóvel + equipamentos)
  4. Projete o fluxo de caixa futuro (3-5 anos)
  5. Aplique a taxa de desconto adequada
  6. Chegue ao valor do fundo de comércio

4.3. Documentos necessários para o fundo de comércio:

  • DRE dos últimos 3-5 anos
  • Fluxo de caixa histórico
  • Contratos de frota, convênios
  • Contrato de bandeira (se houver)
  • Informações sobre concorrência e potencial de mercado

5. Tabela resumo: ordem, métodos e interdependências

OrdemComponenteMétodoDepende deTempo estimado
ImóvelComparativo diretoPesquisa de mercado imobiliário20-30% do esforço
AtivosCusto de reprodução depreciadoCotações de equipamentos, tabelas de depreciação15-25% do esforço
Fundo de comércioCapitalização da rendaImóvel + ativos (para remuneração), DREs, fluxo de caixa40-50% do esforço

💡 O fundo de comércio é o componente que mais demanda tempo e esforço — e também o mais sujeito a controvérsias. É onde a experiência do avaliador faz mais diferença.


6. Exemplo prático (hipotético, apenas para demonstrar a ordem)

Posto médio, cidade de médio porte, SP

Passo 1: Avaliação do imóvel

ItemValor
Terreno (800m² x R$ 1.500/m²)R$ 1.200.000
Benfeitorias (loja, cobertura, escritórios – 400m² x R$ 2.000/m²)R$ 800.000
Depreciação (benfeitorias: 10 anos, vida útil 30 anos = 33%)(R$ 264.000)
Valor do imóvelR$ 1.736.000

Passo 2: Avaliação dos ativos

EquipamentoCusto novoIdadeDepreciaçãoValor atual
Tanques (4 x R$ 80k)R$ 320.00010 anos50%R$ 160.000
Bombas (6 x R$ 30k)R$ 180.0008 anos40%R$ 108.000
SAO, compressores, etc.R$ 100.0006 anos30%R$ 70.000
Valor dos ativosR$ 338.000

Passo 3: Avaliação do fundo de comércio

ItemValor
Receita líquida operacional anual (EBITDA)R$ 500.000
Remuneração dos ativos tangíveis (imóvel + ativos) (ex.: 12% a.a. sobre R$ 2.074.000)(R$ 248.880)
Lucro excedente atribuível ao fundo de comércioR$ 251.120
Taxa de capitalização (14% a.a.)÷ 0,14
Valor do fundo de comércioR$ 1.793.714

Valor total do posto:

ComponenteValor
ImóvelR$ 1.736.000
AtivosR$ 338.000
Fundo de comércioR$ 1.793.714
Valor totalR$ 3.867.714

🔔 Importante: Este é um exemplo didático simplificado. Na prática, os cálculos são mais complexos e exigem fundamentação robusta.


7. Erros comuns na ordem de avaliação

ErroConsequênciaComo evitar
Avaliar o fundo de comércio sem antes avaliar imóvel e ativosO valor do fundo pode ficar distorcido (falta a base da remuneração dos tangíveis)Seguir a ordem: imóvel → ativos → fundo
Ignorar a depreciação dos ativos ao calcular o fluxo de caixaSuperavaliação do fundo de comércio (ativos no fim da vida útil exigem reinvestimento)Incluir provisão para reinvestimento no fluxo de caixa
Usar valor contábil do imóvel (custo histórico) em vez de valor de mercadoRemuneração dos ativos tangíveis incorreta → fundo de comércio distorcidoUsar valor de mercado do imóvel (avaliação atual)
Misturar os três componentes sem separação claraLaudo confuso, difícil de usar para partilha, financiamento, etc.Apresentar valores separados

8. Checklist para o avaliador (ordem de execução)

✅ Fase 1: Imóvel

  1. Pesquisa de mercado de terrenos comerciais
  2. Pesquisa de custos de construção
  3. Vistoria das benfeitorias (idade, estado)
  4. Cálculo da depreciação
  5. Valor final do imóvel

✅ Fase 2: Ativos

  1. Levantamento de todos os equipamentos (tanques, bombas, SAO, etc.)
  2. Pesquisa de custo de equipamentos novos
  3. Estimativa de vida útil remanescente
  4. Aplicação da depreciação
  5. Valor final dos ativos

✅ Fase 3: Fundo de comércio

  1. Coleta de DREs e fluxo de caixa (3-5 anos)
  2. Cálculo do EBITDA recorrente
  3. Dedução da remuneração dos ativos tangíveis (imóvel + ativos)
  4. Projeção de fluxo de caixa futuro (3-5 anos)
  5. Definição da taxa de desconto (capitalização)
  6. Valor final do fundo de comércio

✅ Fase 4: Consolidação

  1. Soma dos três componentes = valor total do posto
  2. Apresentação separada (para partilha, financiamento, etc.)
  3. Fundamentação completa (NBR 14653)

9. Quando a ordem pode variar?

Caso: Posto novo (operação ainda não estabilizada)

  • O fundo de comércio pode ser incerto (fluxo de caixa projetado)
  • Nesse caso, priorize imóvel + ativos, e trate o fundo com cautela (ou use método alternativo)

Caso: Posto em localização excelente, mas com equipamentos antigos

  • O fundo de comércio pode ser alto (ponto bom), mas a vida útil dos ativos é curta
  • É essencial avaliar os ativos antes do fundo para capturar a necessidade de reinvestimento

Caso: Posto bandeira branca sem contrato de bandeira

  • O fundo de comércio depende exclusivamente do ponto e da carteira de clientes
  • A ordem se mantém, mas a análise do fluxo de caixa é ainda mais crítica

Conclusão

A ordem recomendada para avaliar um posto de combustível é:

  1. Imóvel (mais independente, base para tudo)
  2. Ativos (dependentes do custo de reposição e depreciação)
  3. Fundo de comércio (dependente dos dois primeiros e do fluxo de caixa)

Essa sequência não é apenas uma questão de preferência — é uma necessidade técnica. O fundo de comércio só pode ser calculado depois que se conhece a remuneração dos ativos tangíveis (imóvel + equipamentos). E a remuneração dos ativos tangíveis depende do seu valor de mercado (avaliado nas etapas 1 e 2).

Para o avaliador: siga essa ordem. Documente cada etapa. Apresente os valores separados. Seu laudo será mais robusto, mais aceito e mais útil para o cliente.

Para o proprietário: entenda a lógica. Agora você sabe por que um valuation completo é mais caro e demorado — e por que ele é essencial para conhecer o valor real do seu negócio.


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Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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