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Como Avaliar Imóveis em Shopping Centers? Métodos Técnicos, Normas ABNT e Dicas Práticas

Como Avaliar Imóveis em Shopping Centers? Métodos Técnicos, Normas ABNT e Dicas Práticas

Introdução

Avaliar imóveis em shopping centers é uma tarefa complexa que exige conhecimento técnico, análise de mercado e atenção às normas da ABNT (NBR 14653-1 e NBR 14653-2). Diferentemente de imóveis residenciais ou industriais, esses empreendimentos têm dinâmicas únicas, influenciadas por fluxo de pessoas, localização, contratos de exploração e tendências do varejo.

Como engenheiro civil com mais de 30 anos de experiência em avaliações imobiliárias e membro ativo do IBAPE, já orientei dezenas de laudos para shoppings em todo o Brasil. Neste artigo, trago um guia completo sobre como avaliar esses imóveis com rigor técnico, evitando erros comuns e garantindo precisão no valor de mercado.


1. Objetivo da Avaliação

Antes de começar, é fundamental definir a finalidade da avaliação, pois isso influenciará a metodologia:

  • Financiamento bancário (ex.: um fundo de investimento quer comprar uma galeria comercial).
  • Venda ou compra (definir um preço justo para negociação).
  • Inventário ou dissolução societária (divisão de cotas entre sócios).
  • Garantia judicial (como em ações renovatórias de aluguel).

Dica prática: Shoppings com alto fluxo de visitantes tendem a ter avaliações mais estáveis, enquanto empreendimentos em decadência exigem análise de risco adicional.


2. Métodos de Avaliação (Conforme NBR 14653-1)

A norma brasileira estabelece três métodos principais para avaliações imobiliárias. No caso de shoppings, aplicam-se adaptações:

A. Método Comparativo Direto

Consiste em comparar o imóvel com outros similares no mesmo shopping ou em empreendimentos concorrentes.

O que considerar?

  • Localização dentro do shopping (lojas próximas a âncoras valem mais).
  • Metragem e formato (quiosques vs. lojas de corredor).
  • Histórico de aluguel (se já estiver locado, qual o faturamento?).

Desafio comum: Falta de dados transparentes – muitos shoppings não divulgam valores reais de negociação.

B. Método da Capitalização da Renda

Usado quando o imóvel está locado e gera receita. Calcula-se o valor presente dos fluxos futuros de aluguel.

Fórmula básica:Valor=Renda Anual LıˊquidaTaxa de Capitalizac¸a˜oValor=Taxa de Capitalizac¸​a˜oRenda Anual Lıˊquida​

O que incluir na renda líquida?

  • Aluguel mensal.
  • Reajustes contratuais (IGP-M, inflação).
  • Dedução de taxas (condomínio, marketing).

Cuidado! Taxas de capitalização variam conforme o risco do shopping (ex.: shoppings em crise podem ter taxas acima de 12%).

C. Método do Custo de Reprodução

Menos comum, mas útil para imóveis novos ou sem comparativos. Calcula-se o custo de reconstrução, considerando:

  • Estrutura e acabamento (padrão shopping vs. loja comum).
  • Depreciação (avaliar estado de conservação).

Exemplo: Um galpão logístico dentro de um shopping outlet terá avaliação diferente de uma loja de luxo em um shopping premium.


3. Fatores Críticos na Avaliação de Shoppings

A. Localização e Fluxo

  • Posição do imóvel: Lojas em corredores principais valem até 30% mais que as laterais.
  • Presença de âncoras: Shoppings com grandes varejistas (Renner, Riachuelo) atraem mais público.

B. Contratos e Direitos Reais

  • Luvas e cessão de direitos: Muitas lojas são vendidas como “direitos de exploração”, não como propriedade plena.
  • Cláusulas restritivas: Alguns shoppings limitam o ramo de atividade (ex.: não permitem duas lojas de celulares no mesmo corredor).

C. Saúde Financeira do Shopping

  • Taxa de ocupação: Shoppings com menos de 70% de ocupação são considerados de risco.
  • Endividamento do empreendimento: Verifique se há ações judiciais ou inadimplência.

4. Erros Frequentes em Laudos

  • Ignorar a depreciação: Um shopping com 20 anos pode ter desgaste significativo na infraestrutura.
  • Não visitar o imóvel: Avaliar apenas por documentos leva a equívocos (ex.: problemas de acessibilidade).
  • Superestimar o potencial comercial: Lojas em shoppings em decadência não valem o mesmo que há 5 anos.

5. Checklist para uma Avaliação Confiável

✅ Documentação

  • Contrato de exploração ou compra e venda.
  • Planta do imóvel e do shopping.
  • Histórico de aluguéis (se aplicável).

✅ Visita Técnica

  • Verificar fluxo de pessoas em diferentes horários.
  • Avaliar concorrência interna (outras lojas do mesmo ramo).

✅ Fontes de Dados

  • Relatórios do IBGE e Secovi sobre varejo.
  • Plataformas como VGV Imóveis e dados do IBAPE.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

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