Com mais de 15 anos de experiência, a Esatto Avaliações auxilia pessoas e empresas a atingirem seus objetivos financeiros e imobiliários, oferecendo serviços de avaliação precisos e transparentes.

Galeria

Contato

contato@esattoavaliacoes.com.br

41 99169-9464

Avaliação
Como a Pandemia Afetou o Valuation dos Postos de Combustível: O Que Mudou, O Que Ficou e as Novas Regras do Jogo

Como a Pandemia Afetou o Valuation dos Postos de Combustível: O Que Mudou, O Que Ficou e as Novas Regras do Jogo

Introdução

Em março de 2020, o mundo parou. E os postos de combustível?

Ao contrário de shoppings, hotéis e escritórios que simplesmente fecharam as portas, os postos foram considerados serviços essenciais – continuaram abertos. Mas o que parecia uma vantagem se revelou uma faca de dois gumes.

De um lado, o posto nunca fechou. De outro, o consumo de combustível despencou (home office, menos viagens, frota parada). Os contratos de frota foram renegociados. As margens de lucro foram comprimidas. E o valor dos postos – que sempre foi calculado com base no fluxo de caixa futuro – precisou ser repensado.

Como engenheiro com mais de 30 anos em avaliações imobiliárias, mestre e doutor na área, acompanhei de perto o impacto da pandemia no valuation de postos. E o que vi foi uma reconfiguração completa das premissas de avaliação.

Neste artigo, vou mostrar como a pandemia afetou cada método de avaliação, quais fatores se tornaram mais relevantes, e o que compradores, vendedores e avaliadores precisam saber para não errar nos números de 2024/2025.


Objetivo da Avaliação (o que mudou na precificação pós-pandemia)

FinalidadeAntes da PandemiaDepois da Pandemia (2024/2025)
Compra e vendaBaseado em fluxo de caixa histórico de 12 mesesBaseado em fluxo de caixa dos últimos 24-36 meses (para suavizar a crise) + cenários
Financiamento bancárioAceitava projeções otimistasExige históricos sólidos e análise de resiliência
Garantia judicialFluxo de caixa linear projetadoAnálise de cenários (otimista, pessimista, mais provável)
Contratos de frota (valuation do ponto)Contrato de longo prazo = valorização automáticaContrato de longo prazo agora exige cláusulas de resiliência (renegociação, volume mínimo)
Seguro do postoBaseado em faturamento médioBaseado em faturamento médio com ajuste de sazonalidade pós-pandemia

Dica do especialista: Em 30 anos de IBAPE, a pandemia foi o maior choque de precificação que já vi – maior que a crise de 2008 e que o impeachment de 2016. O que funcionava antes, não funciona mais.


Métodos Técnicos (como a NBR 14653-2 se adaptou na prática)

1. Método da Renda (o mais afetado – e ainda o mais usado)

O que mudou na prática:

Antes da pandemia, o avaliador pegava os últimos 12 meses de faturamento, projetava para os próximos anos e aplicava a taxa de capitalização (r). Simples.

Depois da pandemia, essa abordagem se tornou ingênua. Por quê?

  • O ano de 2020 foi atípico (queda de 30% a 60% nas vendas, dependendo da região)
  • O ano de 2021 foi de recuperação instável (lockdowns intermitentes)
  • 2022 teve normalização, mas com guerra na Ucrânia (preço do petróleo disparou)
  • 2023 e 2024 consolidaram novos padrões de consumo (menos viagens de trabalho, mais delivery, frota híbrida)

A abordagem correta hoje (2024/2025):

O avaliador deve usar média ponderada dos últimos 24 a 36 meses, com maior peso para os meses mais recentes (que refletem o “novo normal”).

Exemplo prático:

AnoFaturamento médio mensalPeso sugerido (pós-pandemia)
2021 (recuperação instável)R$ 250.00015%
2022 (normalização com choque de preço)R$ 300.00025%
2023 (novo normal)R$ 310.00030%
2024 (projetado, baseado em 6-8 meses)R$ 320.00030%

**Faturamento médio ponderado = R298.500/me^s(emvezdeR298.500/me^s∗∗(emvezdeR 320.000 se usasse só 2024)

Impacto no valuation: Redução de 6% a 10% no valor final.

Pergunta: Você sabia que postos que usaram apenas dados de 2023/2024 para valuation supervalorizaram seus ativos em até 15%? Os compradores e bancos já perceberam.

2. Taxa de Capitalização (r) – o grande ajuste pós-pandemia

O que é a taxa r: É o retorno que o investidor espera ter ao comprar o posto. Quanto maior o risco, maior o r, menor o valor.

Antes da pandemia: r típico para posto sem frota = 14% a 18%; com frota = 12% a 15%

Depois da pandemia (2024/2025):

Tipo de Postor antes (2019)r depois (2024/25)Por quê?
Posto sem frota (consumidor final volátil)16%19% a 22%Consumo do PF caiu com home office
Posto com frota (contrato longo e resiliente)13%14% a 16%Frotas se mostraram mais estáveis, mas algumas renegociaram
Posto em rodovia (dependente de viagens)15%20% a 25%Queda no número de viagens pós-pandemia
Posto com loja de conveniência forte14%15% a 17%Delivery e conveniência cresceram
Posto apenas combustível (sem diversificação)17%22% a 26%Modelo de negócio mostrou-se frágil

Cálculo do impacto:

CenárioFluxo líquido anualrValor
Antes da pandemiaR$ 360.00014%R$ 2.571.000
Depois da pandemia (mesmo fluxo)R$ 360.00018%R$ 2.000.000

Diferença: -22% no valor – mesmo fluxo de caixa, apenas porque o risco aumentou.

3. Método Comparativo Direto – falta de dados comparáveis

O problema: Os postos que foram vendidos entre 2020 e 2022 tiveram preços atípicos (muitos descontos, alguns negócios de oportunidade). Usar esses dados como comparáveis pode distorcer a avaliação.

A solução na prática (NBR 14653-2 permite tratamento de outliers):

  • O avaliador deve excluir dados atípicos (ex: posto vendido com 40% de desconto na crise de 2020)
  • Ou, se mantiver, aplicar fator de ajuste sazonal (ex: +15% para refletir normalização)

Dica do especialista: Já vi laudo que usou como comparável um posto vendido em abril de 2020 (pico do lockdown) por um preço 50% abaixo do mercado. O resultado foi um laudo que subvalorizou o imóvel em 30%. O cliente perdeu o negócio. O avaliador deveria ter excluído aquele dado.

4. Contratos de Frota – a grande revelação da pandemia

Antes da pandemia: Contrato de frota de longo prazo (3-5 anos) era considerado “ouro”. Valorizava o posto em 20% a 40%.

O que a pandemia mostrou: Muitos contratos de frota tinham cláusulas de força maior que permitiam renegociação ou suspensão. Algumas frotas reduziram consumo em 70% (frota de ônibus urbanos, por exemplo). Outras simplesmente rescindiram.

O que o avaliador deve fazer hoje (2024/2025):

Característica do contrato de frotaImpacto no valuation (antes)Impacto no valuation (hoje)
Contrato com cláusula de volume mínimo garantido (ex: 50 mil L/mês)+30%+15% (se a cláusula for “take or pay” sólida)
Contrato sem volume mínimo (apenas desconto)+10%+0% a +5% (não garante nada)
Contrato com cláusula de renegociação por força maior+20%+5% (risco de renegociação é real)
Frota de entrega (logística, delivery)+15%+25% (cresceu na pandemia e se manteve)
Frota de ônibus (transporte público)+20%-5% a +5% (demanda ainda não se recuperou)

Case real: Avaliei um posto com contrato de frota de ônibus urbanos. Antes da pandemia, o contrato valia +25% no valuation. Depois da pandemia, a frota reduziu 40% do consumo (home office + trabalho híbrido). O contrato hoje vale apenas +5% no valor do posto. O vendedor não aceitava, mas os números não mentem.


Desafios Comuns (o que o avaliador precisa endereçar no laudo pós-pandemia)

Desafio 1: A “nova normalidade” do consumo de combustível

O que mudou para sempre:

  • Home office: Muitas empresas mantiveram regime híbrido (2-3 dias presenciais). Menos deslocamentos.
  • Delivery: Crescimento explosivo. Entregadores (moto, carro) consomem combustível.
  • Viagens de trabalho: Empresas reduziram viagens (reuniões virtuais). Menos consumo em rodovias.
  • Frota elétrica/híbrida: Ainda pequena no Brasil, mas crescente. Afetará postos no médio prazo.

Como o avaliador deve tratar:

  • Usar dados de consumo dos últimos 12-24 meses (já refletem o novo normal)
  • Não projetar retorno aos níveis de 2019 (não vai acontecer)
  • Segmentar o consumo: PF (pessoa física) vs frota. O PF pode não voltar.

Desafio 2: Postos que diversificaram (conveniência, delivery, serviços)

O que aconteceu: Postos com loja de conveniência, café, restaurante ou serviços de delivery tiveram queda menor no faturamento total. Alguns até cresceram.

Como o avaliador deve tratar:

  • Separar a receita de combustível da receita de conveniência/serviços
  • Aplicar taxas de capitalização diferentes (conveniência tem risco menor que combustível)
  • Valorizar postos diversificados (se tornaram mais resilientes)

Exemplo de cálculo:

ComponenteReceita anualr aplicadoValor
Venda de combustívelR$ 240.00018%R$ 1.333.333
Loja de conveniênciaR$ 80.00012%R$ 666.667
Serviços (troca de óleo, lavagem)R$ 40.00015%R$ 266.667
Valor total do postoR$ 360.000r médio ponderado 16,2%R$ 2.266.667

Sem a diversificação, apenas o combustível: R$ 1.333.333 (41% menor)

Desafio 3: A inflação e o aumento dos custos operacionais

O que aconteceu: Preço do combustível disparou (2021-2022). Margem do posto foi comprimida (repassar para o consumidor é difícil). Custo de funcionários, energia, manutenção também subiu.

Como o avaliador deve tratar:

  • Usar margens líquidas dos últimos 12 meses (já refletem a compressão)
  • Não projetar retorno às margens de 2019 (não vai acontecer)
  • Verificar se o posto tem contratos de energia mais caros (bandeira vermelha, etc.)

Case real: Um posto em SP teve margem líquida de 8% em 2019. Em 2022, caiu para 5%. Em 2024, estabilizou em 5,5%. O valuation que usasse margem de 8% supervalorizaria o posto em 45%. O avaliador atento usa margem real (5,5%).


Dicas do Especialista (para avaliadores, compradores e vendedores)

Para avaliadores:

  1. Use janela de dados de 24-36 meses, com pesos maiores para os meses mais recentes – não dá para ignorar a pandemia, nem perpetuar seus efeitos
  2. Ajuste a taxa de capitalização (r) para cima – o mercado de postos se tornou mais arriscado. r mínimo hoje: 16% (antes era 12-14%)
  3. Segmente o negócio – combustível tem um risco, conveniência outro, serviços outro. Use r diferentes
  4. Analise contratos de frota com lupa – cláusulas de força maior, volume mínimo real, histórico de renegociação
  5. Inclua análise de cenários no laudo – otimista, pessimista, mais provável. A pandemia mostrou que o futuro é incerto

Para compradores (2024/2025):

  1. Desconfie de valuations que usam dados de 2019 como referência – o mundo mudou
  2. Peça o histórico de faturamento de 2020 até hoje – veja como o posto se comportou na crise. Os que caíram menos são mais resilientes
  3. Calcule o valor com r entre 16% e 22% – se o vendedor usou 12%, o preço está inflado
  4. Dê mais valor para postos diversificados (conveniência, serviços, delivery) – eles mostraram resiliência
  5. Cuidado com postos dependentes de frota de ônibus ou turismo – ainda não se recuperaram

Para vendedores:

  1. Seu posto vale menos do que em 2019 – aceite. Ajuste o preço ou prepare-se para ficar meses no mercado
  2. Invista em diversificação (conveniência, delivery, serviços) – isso aumenta o valor na venda
  3. Documente a resiliência do seu posto – mostre que você manteve vendas (ou caiu menos) durante a pandemia
  4. Renegocie contratos de frota com cláusulas mais sólidas – volume mínimo garantido “take or pay” agrega valor

Checklists e Ferramentas Úteis

Documentos que o avaliador deve pedir (pós-pandemia):

  • Histórico de faturamento mensal: 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 (todos os meses)
  • Histórico de margem líquida (o posto ganhou menos ou manteve?)
  • Contratos de frota com cláusula de força maior (e se foram acionadas na pandemia)
  • Evolução da receita de conveniência/serviços (cresceu? ajudou a compensar?)
  • Número de funcionários (houve demissão? redução de jornada?)
  • Contas de energia e água (variação nos últimos 4 anos)

Análise de cenários (obrigatória pós-pandemia):

CenárioPremissasValor resultanteProbabilidade estimada
OtimistaRetorno a 90% do consumo de 2019, margem de 7%R$ 2.800.00020%
Mais provávelConsumo estabilizado em 80% de 2019, margem de 5,5%R$ 2.200.00060%
PessimistaNovo lockdown (variação sazonal) ou frota reduz mais 15%R$ 1.700.00020%

Valor final (esperança matemática): (0,2 × 2.800.000) + (0,6 × 2.200.000) + (0,2 × 1.700.000) = R$ 2.220.000

Perguntas para fazer ao avaliador:

  1. “Qual janela de dados o senhor usou (quantos meses/anos) e por quê?”
  2. “Qual taxa de capitalização (r) o senhor aplicou e como justifica esse número pós-pandemia?”
  3. “O senhor considerou o impacto do home office na demanda do meu posto?”
  4. “Como o senhor tratou os contratos de frota (foram renegociados na pandemia)?”
  5. “O laudo inclui análise de cenários (otimista, pessimista, mais provável)?”

Conclusão com Chamada para Ação

Resumo dos pontos-chave:

  1. A pandemia mudou para sempre o valuation de postos – o que valia em 2019 não vale mais
  2. Os principais ajustes são:
    • Janela de dados mais longa (24-36 meses, com pesos)
    • Taxa de capitalização (r) mais alta (+3 a +8 pontos percentuais)
    • Análise de cenários (não dá para projetar um futuro linear)
  3. Postos diversificados (conveniência, serviços) se valorizaram – mostraram resiliência
  4. Postos dependentes de frota de ônibus/turismo desvalorizaram – demanda não voltou
  5. Contratos de frota agora são analisados com mais cautela – cláusulas de força maior importam
  6. Usar dados de 2019 como referência é um erro grave – leva a superavaliação de 20% a 50%

Você tem um posto ou está pensando em comprar um?

Já sentiu na pele o impacto da pandemia no valor do seu posto? Já viu laudo que ignorou os efeitos da crise? Quer entender quanto seu posto vale HOJE, no novo normal?

Comente abaixo – como engenheiro sênior e perito do IBAPE, respondo pessoalmente. Informe a região, o tipo de posto (com/sem frota, com/sem conveniência) e como foi seu faturamento em 2020-2024 – farei uma análise preliminar.


📥 Material Exclusivo

Baixe nosso guia gratuito: “Valuation de Postos Pós-Pandemia – O Novo Normal” (inclui: planilha de cálculo com janela ponderada 2020-2024, tabela de taxas r por tipo de posto pós-crise, modelo de análise de cenários para laudo)

👉 [Clique aqui para baixar gratuitamente]

Quer um valuation atualizado para seu posto com metodologia pós-pandemia?
Conte com nossa equipe – 30 anos de experiência, IBAPE, análise de cenários, ART registrada. Solicite uma cotação.

Author

Leandro Cazaroto

Leandro Cazaroto, Perito Avaliador e Corretor de Imóveis registrado no CNAI nº 21.963 e CRECI nº 18.982, é especializado em avaliações e perícias imobiliárias

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *